Governo abandona ideia do Ministério da Segurança Pública

Atualizado em 13 de janeiro de 2026 às 23:15
Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistiu de dividir o Ministério da Justiça para criar uma pasta exclusiva de Segurança Pública. A ideia chegou a ser cogitada após a saída de Ricardo Lewandowski, mas aliados do Planalto afirmam que a mudança não deve ocorrer até o fim do mandato, diante do cenário eleitoral e das dificuldades de articulação no Congresso. Com informações do Globo.

A decisão ocorre em meio à resistência da base aliada e ao impasse em torno da Proposta de Emenda à Constituição conhecida como PEC da Segurança. Integrantes do governo já admitem, nos bastidores, a possibilidade de não levar a proposta adiante caso o texto seja aprovado com alterações consideradas desfavoráveis ao Executivo.

Wellington César Lima e Silva, o novo ministro da Justiça. Reprodução

O presidente Lula comunicou nesta tarde que escolheu Wellington César Lima e Silva para assumir o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A criação de um novo ministério passou a ser vista como arriscada em ano eleitoral, especialmente sem a aprovação da PEC, que ampliaria o papel do governo federal na área. Segundo aliados, definir atribuições para uma nova pasta sem respaldo constitucional poderia gerar conflitos políticos e administrativos.

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), chegou a afirmar que, se o relatório do deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) for mantido, “melhor não votar”. A declaração gerou reação dentro da base, e Guimarães depois disse que o tema segue como prioridade do Planalto.

Apesar das divergências, integrantes do Ministério da Justiça afirmam que o governo continua trabalhando para modificar o relatório. Para o secretário Nacional de Assuntos Legislativos, Marivaldo Pereira, o texto atual não contempla a integração entre União e estados. “Vamos esperar o presidente escolher o sucessor para dialogar e buscar consenso”, disse.