Entenda por que Justiça dos EUA descarta investigar morte causada por agente do ICE

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 8:23
Renee Nicole Good, morta durante uma operação do ICE em Minneapolis. Foto: Reprodução

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos descartou abrir, neste momento, uma investigação criminal por violação de direitos civis no caso da morte de Renee Nicole Good, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) durante um protesto em Minneapolis.

Segundo um alto funcionário ouvido pela Associated Press, não há fundamento para iniciar um inquérito federal sob a Divisão de Direitos Civis, que tradicionalmente avalia casos de letalidade envolvendo agentes do Estado.

A Divisão de Direitos Civis não abriu investigação sobre a morte da vítima. Em comunicado divulgado pela CNN nesta terça (13), o vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou que “atualmente não há fundamento para uma investigação criminal de direitos civis”, sem detalhar quais critérios levaram à decisão.

Os advogados da Divisão de Direitos Civis foram avisados na semana passada de que não participariam das apurações, embora o FBI mantenha sua investigação ativa sobre a atuação do agente Jonathan Ross e o material recolhido, incluindo a arma usada no disparo.

Investigadores avaliam que é “cada vez menos provável” que Ross seja formalmente indiciado. A decisão do Departamento de Justiça de se afastar de possíveis acusações representa uma mudança significativa em relação a gestões anteriores, que costumavam iniciar rapidamente investigações de direitos civis em casos de disparos fatais contra civis por agentes federais.

Renúncia de procuradores expõe racha interno

A condução do caso provocou a renúncia de seis procuradores federais de Minnesota, que discordaram da pressão para investigar a viúva de Renee Nicole Good em vez do agente responsável pelo disparo. Segundo o jornal estadunidense The New York Times, os funcionários também se opuseram à exclusão das autoridades estaduais da apuração.

Entre os demissionários está Joseph H. Thompson, 47 anos, conhecido por investigar grandes fraudes e que deixou o cargo por divergir do Departamento tanto na linha adotada quanto na decisão de impedir a participação local. Também renunciaram Harry Jacobs, Melinda Williams e Thomas Calhoun-Lopez, que não detalharam publicamente seus motivos.