Empresário Nelson Tanure é alvo de operação da PF contra Banco Master

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 8:54
Nelson Tanure, empresário investigado pela PF. Foto: reprodução

A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (14) mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário Nelson Tanure como parte da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master. Conhecido por adquirir participações em empresas em crise, Tanure tornou-se um dos alvos da ofensiva após as investigações apontarem possível conexão entre suas movimentações financeiras e operações do grupo comandado por Daniel Vorcaro.

Além do empresário baiano, agentes também estiveram em endereços de Vorcaro e de seus familiares em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

A PF afirma investigar indícios de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais em supostos créditos fictícios concedidos pelo Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no fim de 2025.

No total, 42 mandados de busca e apreensão foram autorizados pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que determinou ainda o sequestro e bloqueio de bens avaliados em mais de R$ 5,7 bilhões. A PF sustenta que o banco captava recursos de investidores, aplicava parte em fundos e desviava valores para o patrimônio pessoal de Vorcaro, seus parentes e empresas relacionadas.

A presença de Tanure na nova etapa da operação ocorre semanas após o Ministério Público Federal em São Paulo denunciá-lo por suposto uso de informação privilegiada na negociação de ações da construtora Gafisa, da qual é acionista de referência. Ele nega qualquer irregularidade. A denúncia tramita na 5ª Vara Criminal Federal, mas sua defesa pediu que o caso fosse remetido ao STF ao alegar conexão direta com a investigação do Banco Master.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

No processo, advogados do empresário afirmam que o inquérito policial incluiu pedidos de busca e apreensão e quebra de sigilo de Daniel Vorcaro e de Maurício Quadrado, ambos acionistas do Master.

A apuração também se estendeu à Planner e à Trustee, gestoras e administradoras de fundos que integravam o conglomerado do banco. Para a defesa de Tanure, a conexão entre as investigações justificaria a análise pelo Supremo.

“Os fatos materializados nessa persecução penal contemplam, entre outras pessoas físicas e jurídicas, os membros do Banco Master S/A, o próprio controlador Daniel Bueno Vorcaro e, ainda, a Master S.A. Corretora e a Trustee”, escreveram os advogados.

A defesa de Vorcaro divulgou nota afirmando que o empresário tem “colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes”. Segundo o comunicado, “todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência”.

Os advogados acrescentam que o ex-banqueiro permanece à disposição para esclarecimentos e reforça seu interesse no “esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.