Banco Master: PF também mira Fundador da Reag contra fraudes financeiras

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 14:19
O ex-controlador da Reag, João Carlos Mansur. Foto: Reprodução

O fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, é um dos alvos da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14). A ação investigou a suposta concessão de créditos fraudulentos pelo Banco Master e cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário.

Além de Mansur, agentes da PF também vasculharam endereços do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, de seu pai, Henrique Vorcaro, do cunhado, Fabiano Zettel, e do empresário Nelson Tanure.

A operação é desdobramento de apurações que miram operações financeiras consideradas suspeitas envolvendo fundos administrados pela Reag e créditos liberados pelo Master.

Quem é João Carlos Mansur

Com passagens por grandes empresas, Mansur fundou a Reag em 2012 e transformou a gestora em uma das maiores independentes do país, impulsionada por aquisições de mandatos de fundos exclusivos.

Ele também se tornou figura influente no universo esportivo, atuando em investimentos bilionários ligados ao futebol. Participou de operações envolvendo Juventus e Portuguesa, além de ser conselheiro influente no Palmeiras e responsável pelas finanças do estádio do Corinthians.

Na Faria Lima, Mansur era visto como um “empreendedor arrojado”, perfil associado a operações de alto risco. Seu domínio sobre auditoria também era apontado como diferencial para identificar fragilidades em balanços e movimentações financeiras.

Relação com o Banco Master e saída da Reag

A proximidade entre Mansur e Daniel Vorcaro é antiga, e a Reag administrava fundos do Banco Master. Em setembro, após ser alvo da Operação Carbono Oculto — que apura lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e irregularidades na cadeia de combustíveis —, a gestora anunciou a venda de seu controle acionário e a saída de Mansur da presidência do Conselho de Administração.

O ex-controlador da Reag, João Carlos Mansur, ao lado de Daniel Vorcaro, em registro nas redes sociais. Foto: Reprodução

O negócio consistiu na alienação de 100% da Reag Investimentos para ex-executivos da própria companhia, que passaram a deter o controle integral da área de investimentos. Com a mudança, a Reag Capital manteve outras participações dentro da holding, mas deixou de responder diretamente pela gestão dos recursos.

Transações milionárias e rentabilidades atípicas

A PF e o Banco Central identificaram operações consideradas suspeitas envolvendo fundos administrados pela Reag DTVM. Um empréstimo de R$ 459 milhões concedido pelo Master teria sido movimentado em transações relâmpago que renderam, em um dos casos, uma rentabilidade de 10.502.205,65% em 2024.

Entre os fundos analisados está o Brain Cash, que recebeu R$ 450 milhões em apenas 20 dias de existência, multiplicando seu patrimônio cerca de 30 mil vezes. A movimentação envolveu uma empresa dirigida por uma ex-funcionária da Reag e foi a única operação registrada no balanço do fundo.

O BC aponta que os empréstimos suspeitos foram direcionados a 36 empresas, aplicados em fundos de retorno incerto e inferior ao custo da operação, movimentação que chegou a mais do que o dobro do patrimônio do Master em agosto do último ano.

A Reag já estava na mira da Carbono Oculto, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro associado ao crime organizado e ao setor de combustíveis.