
A disputa pela defesa de Nicolás Maduro em um processo criminal nos Estados Unidos ganhou novos contornos após o advogado Barry Pollack questionar formalmente a atuação de outro profissional no caso. Ele, que representou Maduro na audiência preliminar realizada em 5 de janeiro, afirmou ao juiz Alvin Hellerstein que o advogado Bruce Fein tentou ingressar no processo sem autorização do réu.
No documento enviado à corte de Nova York, Pollack declarou que Fein “pretende atuar” na defesa sem ter sido contratado. “Confirmei com o Sr. Maduro que ele não conhece o advogado Bruce Fein, nunca se comunicou com ele, muito menos o contratou”, escreveu.
Conhecido pelo estilo combativo, Pollack ganhou fama por atuar em casos internacionais sensíveis, como a defesa de Julian Assange. Fein respondeu ao juiz afirmando que entrou no caso “de boa-fé”, após pedidos de “indivíduos com credibilidade dentro do círculo íntimo ou familiar do presidente Maduro”.
Em mensagem ao The New York Times, declarou: “Não recebi pagamento, nem promessa de pagamento”. Segundo ele, pessoas próximas ao venezuelano demonstraram desconfiança em relação à equipe inicial montada às pressas.

Em sua manifestação, Fein reconheceu que não falou diretamente com Maduro, mas pediu que o juiz realizasse uma entrevista privada com o réu. “Se o magistrado concluir que Maduro não quer minha ajuda, eu me retiro do caso”, escreveu, acrescentando que a prisão ocorreu em condições “extraordinárias, surpreendentes e traiçoeiras”, com risco de “mal-entendidos ou falhas de comunicação”.
A disputa se ampliou com a entrada de um terceiro advogado. David Wikstrom informou à corte que foi designado defensor dativo no início do processo e que chegou a se preparar para a primeira audiência. “Mas um advogado particular compareceu à audiência e minha participação se tornou desnecessária”, relatou em carta ao juiz.
Na audiência preliminar, Maduro se declarou “não culpado” das acusações de conspiração para tráfico de drogas e narcoterrorismo. Pollack indicou que a principal linha de defesa será a tese de imunidade soberana, argumentando que chefes de Estado não podem ser julgados por tribunais estrangeiros.
A estratégia também inclui sustentar que a captura de Maduro foi um “rapto ilegal” e tentar retardar o andamento do processo, cuja próxima audiência está marcada para 17 de março.