Sakamoto: Alvo da PF, cunhado de Vorcaro deu milhões a Bolsonaro e Tarcísio em 2022

Atualizado em 14 de janeiro de 2026 às 20:39
O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

O empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ficou preso por algumas horas hoje quando tentava embarcar para Dubai, como parte da segunda fase da operação da Polícia Federal contra as falcatruas do Banco Master. Ele é apontado como um parceiro de negócios e suposto testa de ferro de Vorcaro, além de terem o mesmo gosto por viajar para os Emirados Árabes durante operações da PF.

Segundo a decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, a prisão cautelar foi tomada para evitar que ele prejudicasse a coleta de provas. O celular dele foi apreendido.

Em alguns círculos empreendedores, ele é conhecido por ser sócio de marcas como Oakberry, Les Cinq, Desinchá, Frutaria São Paulo. Em outros, religiosos, por ser pastor da Igreja Lagoinha. Mas, na política velha de guerra, ele é lembrado por ter sido o maior doador individual da campanha fracassada de Jair Bolsonaro à reeleição, em 2022, com R$ 3 milhões. E por ter doado outros R$ 2 milhões à campanha exitosa de Tarcisio de Freitas ao governo de São Paulo.

Há aqueles que doam a candidaturas porque concordam com o ponto de vista defendido por elas, outros porque querem se aproximar dos possíveis eleitos para obter vantagens. Não há elementos que mostrem o ex-presidente e o governador fazendo algo a favor do Master, mas a quantidade de grana chama a atenção, principalmente porque estamos falando de empresas e fundos que vendiam terrenos na lua.

Tenho escrito neste espaço que a delação do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem potencial destrutivo muito maior que a do tenente-coronel Mauro Cid, assessor para assuntos aleatórios de Jair Bolsonaro, fundamental na condenação dele, de generais estrelados e demais comparsas pela tentativa de golpe.

Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução

Neste momento, é admirável o esforço de membros de instituições da República que deveriam zelar pela coisa pública agindo para facilitar a vida de Vorcaro, o que pode livrá-lo de ser responsabilizado por crimes e, portanto, de uma delação premiada que levaria o Brasil a discutir como o dinheiro dita o poder. É gente no Congresso, no STF, no TCU. É pau, é pedra, é o fim do caminho.

Por exemplo, o senador Ciro Nogueira é apontado por ter atuado nos bastidores contra uma CPMI que investigaria o Master, mas também pela aprovação de uma emenda à Constituição para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. Isso beneficiaria o Master, que estava escorando seus CDBs no fundo. O senador também apoiou a compra de ações do Master pelo estatal BRB, o que foi reprovado pelo Banco Central.

A compra do banco podre foi defendida com unhas e dentes pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), usando dinheiro público. E o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) investiu cerca de R$ 1 bilhão no Master quando já era claro que a instituição era uma comédia. Era dinheiro de aposentadorias de professor com burnout, enfermeira que segura plantão triplo e gari que limpa rua alagada.

Ao contrário de Mauro Cid, que era de Jair, Vorcaro é de muitos. Uma possível delação estaciona o caminhão de explosivos na garagem do Congresso, mas não só lá. Ela pode apontar quem pressionou o Banco Central e governos estaduais para bancar com dinheiro público operações bilionárias com créditos podres. E se investigar a fundo, pode constranger mais gente, no governo, na oposição, no mercado.

Para evitar que Vorcaro, Zettel e amigos cantem como canários, muita gente tenta assar uma pizza. A PF precisa ir até o fim, deixando esse pessoal passar fome.