A PF vai conseguir entrar no celular de Nelson Tanure? Por Moisés Mendes

Atualizado em 15 de janeiro de 2026 às 8:08
Nelson Tanure, empresário investigado pela PF. Foto: reprodução

O aparelho foi apreendido com ele no Aeroporto do Galeão, no Rio, quando Tanure se preparava para embarcar em voo para Curitiba.

A notícia trata “o celular”, assim mesmo, no singular e com o artigo definido. Não dizem que apreenderam um celular. É como se Tanure tivesse só esse aparelho. Um dos empresários mais poderosos do Brasil, sempre envolvido em confusão, tem só um celular?

Tanure, o ardiloso, teria menos celulares do que um jogador do sub17 de qualquer time? Claro que não. O certo seria informar que a PF apreendeu um celular, e não o celular.

Muitos dos envolvidos no golpe contra Lula ou que estavam no entorno de Bolsonaro tinham vários celulares.

Um dos advogados do chefe da organização criminosa, Frederick Wassef, jantava num restaurante em Brasília, em 2023, quando a PF chegou a apreendeu com ele quatro celulares.

Frederick Wassef avisou depois os amigos, e esses amigos espalharam pela imprensa que ele tinha mais celulares e que aqueles apreendidos (e que foram abertos e tinham informações sobre o rolo das joias das arábias) não eram os mais importantes.

O véio da Havan, que alguns conhecem como Luciano Hang, teve dois celulares apreendidos em operações da Polícia Federal, nos inquéritos das fakes news e das articulações de empresários golpistas.

Em agosto de 2023, o ministro Alexandre de Moraes admitiu que os aparelhos ainda eram indevassáveis. Um foi apreendido em maio de 2020 e o outro em agosto de 2022.

Os dois celulares estavam sob custódia da PF, durante o governo Bolsonaro. Aparelhos de Mauro Cid, do próprio Bolsonaro e de gente barra pesada foi devassado e invadido pelos peritos da PF, para que a PF visse o que tinham dentro.

Mas os celulares do véio da Havan não foram abertos, porque, é claro, ele não forneceu as senhas e porque a PF, que abriu o celular de todo mundo, não conseguiu desbloquear os aparelhos do sujeito.

É um dos grandes mistérios dos inquéritos conduzidos pela PF em torno de figuras ligadas à extrema direita. Que história é essa dos celulares com escudos de aço?

É possível que Nelson Tanure tenha, por também ser poderoso, um celular com conteúdos indevassáveis, ou só o véio da Havan tem aparelhos que a PF não consegue desbloquear? O que o véio da Havan tem que os outros não conseguem ter?

Banco Master. Foto: Reprodução

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O ROBÔ SABE
Publico a seguir o resultado de pergunta que fiz à Inteligência Artificial da Meta sobre a situação dos celulares de Luciano Hang. Essa foi a resposta, com apenas um erro. São dois celulares apreendidos em ocasiões diferentes, como citado no texto anterior, e não só em 2022.

Abaixo, a resposta do robô na íntegra:

“Até o início de 2026, não há confirmação oficial de que a Polícia Federal tenha conseguido acessar o conteúdo integral dos celulares apreendidos com Luciano Hang nas operações de 2022.
Aqui estão os detalhes sobre o status dessa investigação:
• Recusa de Senhas: O empresário negou o fornecimento das senhas de acesso aos aparelhos quando estes foram apreendidos em agosto de 2022, no âmbito de um inquérito do STF sobre empresários que discutiam um suposto golpe de Estado.
• Dificuldades Técnicas: Informações de meados de 2024 indicavam que a PF ainda enfrentava dificuldades técnicas para realizar a “devassa” (extração total de dados) nos dispositivos de Hang, ao contrário do que ocorreu com outros investigados que forneceram as senhas ou tiveram aparelhos com criptografia superada.
• Sigilo das Investigações: A PF mantém o andamento da perícia sob sigilo, e não houve vazamentos ou relatórios públicos detalhando mensagens extraídas especificamente dos aparelhos de Hang até o momento.
• Posicionamento de Hang: O empresário declarou publicamente estar “tranquilo” e afirmou que as autoridades “não vão encontrar nada” de ilegal em seus dispositivos.
A situação difere de outros casos recentes (como o de Jair Bolsonaro ou Mauro Cid), onde a PF utilizou tecnologias avançadas ou acordos de colaboração para acessar dados. No caso de Hang, os aparelhos permanecem como um dos maiores desafios técnicos da perícia criminal federal no contexto desses inquéritos”.

(Esse é o texto da Inteligência Artificial da Meta como recebi, na íntegra e até com as bolinhas de marcação de parágrafo)

Moisés Mendes
Moisés Mendes é jornalista em Porto Alegre, autor de “Todos querem ser Mujica” (Editora Diadorim) - https://www.blogdomoisesmendes.com.br/