Irã nega que Erfan Soltani tenha sido condenado à pena de morte

Atualizado em 15 de janeiro de 2026 às 10:51
O manifestante iraniano Erfan Soltani, de 26 anos. Foto: Reprodução

O Judiciário do Irã afirmou nesta quinta-feira (15) que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, não foi condenado à pena de morte, negando relatos de ONGs e do governo dos Estados Unidos que apontavam para uma execução marcada para quarta-feira (14).

Soltani está encarcerado em Karaj, perto de Teerã, acusado de propaganda contra o país e de agir contra a segurança nacional.

Segundo comunicado exibido pela televisão estatal, “o castigo, de acordo com a lei, será uma pena de prisão”, e não a execução por enforcamento. O Irã reforça que a pena de morte “não se aplica ao caso”.

A detenção ocorreu durante a onda de protestos que tomou o país, e sua família havia sido informada sobre a execução, de acordo com a Iran Human Rights (IHR), organização sediada na Noruega. A entidade afirma que Soltani não recebeu julgamento e não teve direito de defesa.

A ONG Hengaw já havia informado que o Irã suspendeu temporariamente a execução após pressões internacionais.

Pressão externa e reação diplomática

A suspensão ocorreu horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que “não haveria execuções de manifestantes no Irã” e que as mortes estavam diminuindo. Dias antes, Trump havia ameaçado retaliar caso o Irã executasse cidadãos.

Em entrevista à Fox News, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reforçou que não há execução planejada. “Posso dizer a você que estou confiante de que não há nenhum plano para enforcamentos”, declarou. Ele também garantiu que não haveria execuções “hoje ou amanhã”.

Soltani foi preso no dia 8, em Karaj, por participar das manifestações. A IHR afirma que não há detalhes claros sobre os crimes atribuídos a ele. O caso reacende críticas sobre o uso da pena de morte no país.

O Irã é o segundo maior executor do mundo, atrás apenas da China. As punições podem ser aplicadas a crimes como traição, espionagem, rebelião, assassinato, estupro, tráfico de drogas, terrorismo, homossexualidade e prostituição. Segundo monitoramento da Anistia Internacional, ao menos mil pessoas foram executadas no país em 2025.