MP pede indenização de jovem por abandonar amigo no Pico Paraná

Atualizado em 15 de janeiro de 2026 às 16:13
Roberto Farias Tomaz e Thayane Smith. Foto: Reprodução/TV Globo

O Ministério Público reconheceu que Thayane Smith cometeu omissão de socorro ao deixar Roberto Faria Tomaz para trás durante uma trilha no Pico Paraná. O jovem desapareceu no Ano-Novo e encontrado vivo dias depois, após caminhar sozinho pela mata.

Na representação enviada à Justiça, o MP pediu que Thayane pague R$ 4.863, valor equivalente a três salários mínimos, por danos materiais e morais causados a Roberto. O órgão também sugeriu que ela cumpra 3 meses de serviços comunitários junto ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, responsável pelas buscas.

Também foi solicitada indenização de R$ 8.105 ao Corpo de Bombeiros, referente a cinco dias de operação na região. Segundo o Ministério Público, a jovem demonstrou “interesse apenas em seu próprio bem-estar físico” ao abandonar o amigo, mesmo diante de uma situação de vulnerabilidade que, segundo a análise de depoimentos, era perceptível no momento da decisão.

A aplicação das medidas dependerá de decisão judicial. A Polícia Civil já decidiu arquivar o inquérito ao entender que não houve crime.

Roberto Faria Tomaz no hospital. Foto: Reprodução

Roberto desapareceu em 1º de janeiro, depois que Thayane seguiu com outros montanhistas durante a descida do pico. A trilha havia começado na tarde do dia 31 de dezembro, e o jovem passou mal diversas vezes ao longo do percurso. Ele foi encontrado no dia 5 de janeiro, na região de Cacatu, após caminhar mais de 20 quilômetros pela mata até chegar a uma fazenda.

Segundo o Corpo de Bombeiros, Roberto estava vivo e consciente quando foi localizado. “Felizmente, ele conseguiu superar as adversidades, descer as encostas e chegar sozinho”, afirmou o tenente-coronel Ícaro Gabriel. Em contato com a família, o jovem relatou estar machucado, sem óculos e sem botas, mas em segurança, antes de ser encaminhado ao Hospital de Antonina.

Durante as buscas, Thayane admitiu ter seguido adiante por conta do ritmo do grupo. “É pelo fato de ser meu estilo de vida. Eu gosto dessas coisas. Peguei o ritmo dos corredores e fui”, disse. Ela afirmou acreditar que havia outras pessoas próximas a Roberto, o que a levou a descartar o risco. A família do jovem, porém, sustenta que ele foi deixado para trás por não conseguir acompanhar o ritmo. Após o caso, o acesso ao Parque Estadual Pico Paraná foi temporariamente restringido.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.