Maria Corina entrou pela porta dos fundos na Casa Branca para dar seu Nobel a Trump

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 9:02
Trump recebendo a medalha do Nobel da Paz entregue por Maria Corina. Foto: reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, submeteu a líder da oposição venezuelana María Corina Machado a uma sequência de constrangimentos durante um encontro reservado na Casa Branca. Sem acesso da imprensa, a reunião terminou com Trump exibindo nas redes sociais a medalha do Prêmio Nobel da Paz que Machado levou consigo, gesto que provocou reação oficial da Fundação Nobel.

“María me entregou seu Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que tenho realizado”, escreveu Trump, celebrando publicamente a posse da medalha de ouro de 196 gramas, com a efígie de Alfred Nobel. A cena ocorreu no Salão Oval e foi descrita por observadores como uma das situações de exposição pública mais chocantes envolvendo dois dirigentes políticos nos últimos anos.

Diante da repercussão, a instituição responsável pelo Nobel precisou esclarecer que o prêmio é pessoal e intransferível, ainda que a medalha, como objeto físico, possa circular.

O tratamento dispensado a Corina Machado começou antes mesmo da reunião. Ela chegou à Casa Branca por volta do meio-dia sem ser recebida por Trump ou por qualquer integrante do governo. Foi conduzida pela entrada destinada a funcionários e submetida a todos os procedimentos de segurança, longe das câmeras.

O encontro ocorreu a portas fechadas e não houve pronunciamentos conjuntos, apesar da expectativa de que Trump sinalizasse algum apoio à oposição venezuelana e discutisse o futuro político do país.

Após a reunião, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou em coletiva que o presidente mantém a avaliação de que María Corina Machado não dispõe de respaldo suficiente para liderar a Venezuela. Segundo ela, trata-se de uma análise “realista”, baseada nas informações apresentadas por assessores e pela equipe de segurança nacional.

A postura contrasta com declarações feitas por Trump um dia antes, quando elogiou Delcy Rodríguez após uma conversa telefônica, chamando-a de “pessoa espetacular”. O gesto reforçou a opção de Washington por preservar canais com o chavismo, em vez de fortalecer a oposição.

Essa orientação causou desconforto entre líderes da direita latino-americana, como Javier Milei. O presidente argentino chegou a defender a posse de Edmundo González e depois evitou novas manifestações sobre o tema. A mudança foi tão evidente que autoridades norte-americanas chegaram a minimizar a existência do chamado Cartel de los Soles, mesmo após Milei ter se antecipado ao classificá-lo como organização terrorista.

Leavitt declarou ainda que as autoridades interinas venezuelanas “têm sido extremamente cooperativas”, cumprindo exigências e solicitações do governo dos Estados Unidos.

Ao deixar a Casa Branca, María Corina Machado falou brevemente com jornalistas. Disse que a reunião foi “muito boa” e afirmou que conta com Trump para a “libertação da Venezuela”.

A ausência de divulgação oficial do encontro reforça a leitura de que a conversa teve menos relação com compromissos políticos e mais com interesses energéticos. De acordo com apuração do site LPO, Trump busca manter diálogo tanto com o governo quanto com a oposição para viabilizar investimentos no setor de petróleo venezuelano, ainda vistos com cautela por empresas do setor, reticentes em aplicar recursos no país.