Tarcísio e Michelle são os responsáveis pela transferência de Bolsonaro para a Papudinha, avaliam aliados

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 10:28
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foto: Reprodução

Aliados da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmam que a transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a chamada “Papudinha” só ocorreu porque ambos atuaram simultaneamente junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), conforme informações do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles.

Nos bastidores, essa movimentação é tratada como uma “articulação casada” que teria resultado em um “sinal positivo” do ministro Alexandre de Moraes. A avaliação é de que, mesmo sem coordenação explícita entre eles, a soma das ações da dupla teria produzido o efeito desejado.

Ao mesmo tempo, essa leitura reforça a disputa interna no bolsonarismo. Segundo interlocutores, a decisão ampliou o protagonismo de Michelle e Tarcísio e funcionou como contraponto à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), defendida pelo próprio ex-presidente.

Há aliados que veem na dupla — com Tarcísio na cabeça de chapa e Michelle como vice — uma alternativa considerada mais competitiva. A ida de Bolsonaro para a Papudinha, nesse contexto, é vista como um “round” vencido pelos dois contra Flávio, especialmente porque uma eventual concessão de prisão domiciliar poderia fortalecê-los ainda mais.

Jair Bolsonaro (PL) e sua nova cela na Papudinha. Foto: Reprodução

As conversas com ministros do STF

Michelle buscou Gilmar Mendes, atual decano do STF, para relatar o estado de saúde de Jair Bolsonaro. Tarcísio, por sua vez, conversou por telefone com pelo menos dois ministros na véspera da decisão.

No dia seguinte, Moraes determinou a transferência do ex-presidente da Superintendência da PF para uma sala no batalhão da Polícia Militar do DF. Na decisão, o ministro afirmou que o novo espaço oferece condições “ainda mais favoráveis”, incluindo ampliação do tempo de visitas e a possibilidade de banho de sol e exercícios “a qualquer horário do dia”.

Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes ligados à trama golpista. Antes de ir para a PF, ele havia cumprido período em prisão domiciliar, também por decisão de Moraes, que avaliou risco de fuga.

A defesa do ex-presidente fez sucessivos pedidos para que o regime domiciliar fosse restabelecido, mas sem sucesso até agora.