Atrito entre Toffoli e a PF preocupa ministros do STF

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 12:53
Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: Vinicius SChmidt/Metrópoles

A tensão entre a Polícia Federal e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli aumentou após ele escolher, sem consultar a direção da corporação, os nomes de quatro peritos responsáveis pela extração de dados de material apreendido na segunda fase da operação Compliance Zero. A decisão foi divulgada publicamente, o que gerou descontentamento entre os dirigentes, segundo o blog do Valdo Cruz no g1.

Para a PF, expor os peritos vai contra os protocolos de segurança, pois pode tornar esses profissionais alvos de acusações de vazamento de dados extraídos, além de prejudicar a liberdade dos envolvidos. A escolha sem consulta foi considerada pelos agentes como “exótica”, o que levou a uma avaliação de que Toffoli estaria “dobrando a aposta” contra a instituição.

Alguns membros da PF acreditam que o ministro tenta, de forma indireta, “controlar” as investigações sobre o caso Master, uma vez que ele também determinou que peritos da PGR participassem da extração dos dados, tentando suavizar a situação. No entanto, a divulgação dos nomes foi vista como uma medida incomum que não segue os procedimentos convencionais das investigações.

Agentes da Polícia Federal durante a segunda fase da pperação Compliance Zero. Foto: Reprodução

Essa crescente tensão preocupa colegas de Toffoli no STF, que recomendam cautela no andamento do caso Master. Alguns ministros temem que o atrito entre o ministro e a PF acabe prejudicando a imagem do próprio Supremo, especialmente se for transmitida a impressão de que o tribunal está dificultando investigações de fraudes bancárias.

Para esses ministros, a percepção pública do STF pode ser comprometida, caso seja vista como uma instituição que obstrui investigações importantes. A disputa entre Toffoli e a PF remonta ao momento em que o caso foi transferido da Justiça Federal para a Corte, uma decisão do próprio ministro.

O atrito entre Toffoli e a PF se intensificou quando ele convocou uma acareação entre os investigados, apesar de não haver contradições claras entre eles. O magistrado também entrou em conflito com a delegada que presidia o inquérito.

Recentemente, o ministro também retirou da PF a custódia dos telefones celulares e computadores apreendidos na segunda fase da operação, o que aumentou ainda mais as tensões entre o STF e a polícia.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.