Líder do PL assina escritura imobiliária após apreensão de R$ 430 mil; entenda

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 17:24
O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante. Foto: Divulgação

O deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, se viu envolvido em um caso polêmico após a apreensão de R$ 430 mil em sua residência em Brasília, no dia 19 de dezembro.

A Polícia Federal (PF) realizou a apreensão durante uma operação que investigava possíveis desvios de verba das cotas parlamentares, mas o parlamentar justificou o valor como sendo resultado de uma transação imobiliária realizada em Ituiutaba (MG).

No entanto, a escritura de venda da casa foi registrada apenas quase duas semanas depois, no dia 30 de dezembro, 11 dias após a apreensão do dinheiro. De acordo com ele, a transação foi formalizada por meio de um contrato particular assinado em 24 de novembro entre ele e o comprador, o advogado Thiago de Paula.

Segundo o deputado, a escritura foi apenas assinada em 30 de dezembro devido à falta de tempo para formalizar o processo antes. Ele alegou que manteve o dinheiro em sua casa por não ter conseguido depositá-lo antes.

A transação foi realizada por R$ 500 mil, sendo que o pagamento foi feito em dinheiro vivo, o que gerou uma valorização significativa em relação ao preço pago anteriormente pelo deputado pelo imóvel, que foi de R$ 310 mil, de acordo com o parlamentar.

A escritura de venda apresentada à Polícia Federal contém algumas peculiaridades. O imposto de transmissão não foi pago antes da assinatura do ato, e o comprador dispensou a apresentação de certidões fiscais municipais do imóvel e de antecedentes criminais do deputado.

O bolsonarista explicou que a valorização do imóvel se deve à reforma feita por ele na propriedade, que foi inicialmente anunciada por R$ 690 mil, conforme avaliação de corretores da cidade.

Ele também detalhou que o valor de R$ 280 mil mencionado na escritura se refere ao valor pago ao antigo proprietário, enquanto o montante de R$ 310 mil é o valor efetivamente pago por ele, acrescido de R$ 30 mil de comissão ao corretor.

Foi encontrado dinheiro na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara. Foto: Reprodução

A suspeita é que uma empresa de locação de carros, contratada pelos deputados, tenha continuado a receber dinheiro mesmo após ser dissolvida irregularmente. Sóstenes Cavalcante e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) foram alvos de busca e apreensão no mesmo dia, mas ambos negaram as acusações.

Em sua defesa, ele afirmou que a compra do imóvel foi uma oportunidade de negócio para ajudar um familiar que se mudava para Uberlândia (MG). O deputado, que havia declarado um patrimônio de R$ 4.926,76 em sua candidatura à Justiça Eleitoral em 2022, afirmou ter realizado um empréstimo consignado para adquirir o imóvel em Ituiutaba, cidade onde ele morou por dez anos.

De acordo com o parlamentar, a venda do imóvel ocorreu após uma mudança de planos, já que o familiar que ocuparia a casa se mudou para Uberlândia. O dinheiro apreendido pela PF estava em sua residência e foi relacionado à investigação sobre possíveis crimes envolvendo o uso inadequado de cotas parlamentares.

Sóstenes destacou que, no interior, o uso de dinheiro vivo para transações imobiliárias é comum, especialmente entre advogados que buscam descontos em pagamento à vista.

“Eu conheço em Ituiutaba muitos advogados que até os honorários eles pegam em cash, no caixa. No interior, é uma transação muito comum, até porque eles querem desconto, pagar mais barato porque vão pagar em dinheiro, à vista. É uma operação mais comum do que muita gente pensa”, justificou.

A PF está investigando irregularidades na contratação de serviços e o uso indevido desses recursos. o bolsonarista, entretanto, segue alegando que a transação imobiliária foi legítima e que o valor apreendido em sua residência é proveniente da venda do imóvel.

O deputado também afirmou que apresentará todos os documentos e provas necessários para esclarecer sua versão dos fatos ao ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 27 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.