PGR aponta desvio bilionário no Banco Master e cita rede de familiares e “laranjas”

Atualizado em 16 de janeiro de 2026 às 19:44
Polícia Federal durante investigação. Foto: Divulgação/Polícia Federal

A Procuradoria-Geral da República apontou suspeitas de que o Banco Master utilizou estruturas do mercado de capitais para realizar operações financeiras destinadas a transferir recursos ao patrimônio do controlador Daniel Vorcaro e de seus familiares. Segundo a apuração, os valores sob suspeita somam R$ 5,7 bilhões.

A manifestação foi apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (14). Com base em informações da investigação, o PGR descreveu o uso de fundos de investimento e de uma rede de empresas conectadas por vínculos societários, familiares ou funcionais.

De acordo com a Polícia Federal, o banco captava recursos por meio da emissão de CDBs, que eram direcionados a fundos de investimento nos quais o próprio Master figurava como cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriam notas comerciais emitidas por empresas apontadas como ligadas aos sócios do banco ou a pessoas próximas a eles.

Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. Foto: Reprodução

A investigação identificou, nesse conjunto de operações, cerca de R$ 3,5 bilhões aplicados em fundos exclusivos do próprio banco e aproximadamente R$ 1,8 bilhão destinados à compra de títulos emitidos por empresas relacionadas ao controlador. Em um dos casos, a PF apontou a transferência de R$ 9 milhões a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. A defesa afirmou que ele não tem envolvimento com irregularidades.

Outro ponto da apuração envolve um investimento de R$ 361 milhões em uma clínica médica de pequeno porte na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo a PF, a empresa apresentava capital social zerado e receita anual reduzida, e sua presidente foi identificada como beneficiária de auxílio emergencial em 2020 e 2021, sendo citada como possível “laranja”. A irmã do banqueiro, Natália Vorcaro, também aparece vinculada ao caso.

A decisão que autorizou buscas e apreensões foi assinada pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A apuração também menciona o empresário Nelson Tanure como beneficiário final de estruturas financeiras analisadas. As defesas negam irregularidades e informam que os citados colaboram com as autoridades.