
O diretor da CIA, John Ratcliffe, esteve em Caracas e se reuniu nesta sexta-feira (16) com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Foi a primeira visita de uma autoridade de alto escalão dos Estados Unidos ao país após os ataques e o sequestro de Nicolás Maduro, além de marcar o primeiro encontro oficial com a nova chefe do Executivo venezuelano.
Eles discutiram a cooperação de inteligência, a estabilidade econômica e a necessidade de garantir que a Venezuela não seja mais um “porto seguro para os adversários dos Estados Unidos, especialmente os narcotraficantes”.
Delcy, que era vice-presidente de Maduro, assumiu interinamente após ele ser levado aos Estados Unidos para ser julgado por acusações de tráfico de drogas.
Avaliações da CIA e sinais ao mercado
Com a queda de Maduro, María Corina Machado era vista como a principal figura da oposição — hipótese que o chavismo não aceitava.
Segundo a imprensa dos EUA, a CIA recomendou que Washington não apoiasse María Corina após a ofensiva, por avaliar risco de instabilidade e de maior envolvimento militar americano. A agência também teria concluído que Delcy estaria disposta a cooperar com a Casa Branca.
Em discurso na Assembleia Nacional, Delcy sinalizou a intenção de facilitar investimentos estrangeiros no setor petrolífero. Donald Trump manifestou recentemente o desejo de que empresas americanas invistam cem bilhões de dólares no país.
Encontro paralelo e Nobel
A visita ocorreu no mesmo dia em que María Corina entregou sua medalha do Prêmio Nobel da Paz a Trump, na Casa Branca, após um encontro discreto na quinta-feira (15).
Trump afirmou nesta sexta (16) que o gesto foi gentil e disse ter respeito por María Corina. O Comitê do Nobel, por sua vez, declarou que um vencedor não pode compartilhar nem transferir o prêmio para outra pessoa.
Em entrevista coletiva, a ex-deputada ultradireitista agradeceu a Trump pela operação que capturou Maduro e disse confiar em uma transição de poder. O republicano, por ora, tem demonstrado preferência pela vice de Maduro, herdeira do chavismo, que acena com abertura ao investimento no setor de petróleo.
