
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que o bispo Robson Rodovalho e o pastor Thiago Manzoni prestem assistência religiosa ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha.
Segundo o documento, o apoio religioso poderá ocorrer uma vez por semana, às terças ou sextas-feiras, de forma individual, com duração de até uma hora, respeitadas as regras do estabelecimento prisional.
“DEFIRO o pedido de assistência religiosa ao custodiado JAIR MESSIAS BOLSONARO, nos termos do art. 5º, VII, da Constituição Federal e do art. 24 da Lei de Execução Penal, autorizando a realização de atendimento religioso uma vez por semana, com duração de 1 (uma) hora, a ser realizado individualmente, às terças ou sextas-feiras, observadas as normas internas do estabelecimento prisional”, disse o ministro.
Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes ligados à trama golpista, entre eles organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Antes de ser levado para a Superintendência da Polícia Federal e, posteriormente, para a Papudinha, ele chegou a cumprir período em prisão domiciliar por decisão de Moraes, que avaliou o risco de fuga.
Bispo Rodovalho
Robson Rodovalho, de 70 anos, é bispo e fundador da comunidade Sara Nossa Terra, criada em 1992 ao lado da esposa, Lúcia Rodovalho. De acordo com informações da própria instituição, a denominação possui mais de 900 unidades no Brasil, reúne mais de 1,3 milhão de membros e mantém presença em países da América Latina e da Europa.

Rodovalho também fundou a Rede Gênesis, emissora de televisão gospel com sinal transmitido para os Estados Unidos, Europa e África.
Ele é formado em física, com especialização em ressonância magnética nuclear e doutorado em física quântica. Ainda jovem, em 1972, criou clubes bíblicos em colégios e tornou-se líder da organização Mocidade Para Cristo em Goiás e no Centro-Oeste.
Entre 2007 e 2011, exerceu mandato de deputado pelo Distrito Federal, período em que Jair Bolsonaro também atuava como parlamentar.
Há cerca de sete semanas, publicou nas redes sociais estar preocupado com a prisão do ex-presidente, “especialmente diante da fragilidade de sua saúde”. Recentemente, também disse ser amigo de Bolsonaro há 25 anos e ter recebido com “honra” a indicação para prestar ajuda espiritual.
Enquanto presidente, Bolsonaro costumava ir a cultos na igreja de Rodovalho. Em julho de 2019, ainda no início do governo, participou de duas celebrações na Sara Nossa Terra, em Brasília, acompanhado de ministros e da então primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL). Em janeiro de 2022, ano da eleição presidencial, o ex-presidente voltou a comparecer à igreja.

Rodovalho também esteve envolvido na mobilização em favor da indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal. O magistrado, definido por Bolsonaro como “terrivelmente evangélico”, foi uma das duas escolhas feitas pelo ex-presidente para a Corte durante seu mandato.
A ligação da família Bolsonaro com a igreja se estendeu a Jair Renan, filho do ex-presidente. Ele foi batizado na Sara Nossa Terra em dezembro de 2024, em uma cerimônia realizada no mar de Balneário Camboriú (SC), município onde exerce o cargo de vereador.
Thiago Manzoni
O pastor e deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF), de 42 anos, é advogado formado pelo UniCEUB e atua na área desde os 24 anos.
Antes de ingressar na política, cursou disciplinas de Estatística e Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB) e passou a produzir conteúdos nas redes sociais a partir de 2016, com foco em pautas ligadas a valores conservadores.
Em 2018, Manzoni concorreu a deputado federal pelo Partido Novo e obteve 11.610 votos. Quatro anos depois, foi eleito deputado distrital pelo PL, com 25.554 votos. Na Câmara Legislativa do Distrito Federal, afirma ter como prioridade a defesa da família, bandeira que também orienta sua atuação religiosa.
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