PMs são flagrados por câmeras corporais roubando celular durante matança no Rio

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 11:53
Policiais nas ruas durante megaoperação contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro. Foto: Antonio Lacerda/EFE

Câmeras corporais da Polícia Militar do Rio de Janeiro registraram o momento em que policiais do Batalhão de Polícia de Choque furtaram um celular dentro de uma residência na Penha, na zona norte do Rio, durante a megaoperação de outubro de 2025 que deixou mais de 120 mortos, a mais letal da história do país. Com informações do G1.

A acusação consta em denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro, já aceita pela Auditoria da Justiça Militar. Segundo o processo, a ação foi gravada pela câmera acoplada ao uniforme de um dos próprios agentes.

De acordo com a denúncia, quatro policiais — os 2º sargentos Vilson dos Santos Martins, Diogo da Silva Souza e Renato Vinícius Maia, além do 3º sargento Eduardo Oliveira Coutinho — invadiram imóveis na região na manhã de 28 de outubro.

As imagens mostram o arrombamento de um portão e, em seguida, a entrada em uma casa onde havia uma moradora. Ela teria sido mantida sob ameaça armada e impedida de circular livremente enquanto os agentes vasculhavam o local. Em determinado momento, Martins teria furtado um celular que estava sobre o sofá, conectado a um carregador, ato registrado integralmente pela câmera corporal.

O Ministério Público afirma que os demais policiais contribuíram para o crime ao garantir “superioridade numérica e de meios”, o que viabilizou o furto.

Martins teve a prisão preventiva decretada e está custodiado em unidade prisional da corporação. Os outros três são réus, mas respondem em liberdade, com medidas cautelares como afastamento da PM, suspensão do porte de arma, proibição de contato entre si e de deixar o país. Todos respondem por roubo qualificado, violação de domicílio qualificada e constrangimento ilegal.

Outras acusações na mesma operação

Dois dos policiais denunciados já estavam presos por outros crimes cometidos durante a mesma megaoperação, incluindo o desvio de fuzis e o furto de peças de veículos, também revelados por imagens de câmeras corporais.

Em outro trecho da denúncia, o MP sustenta que os agentes se apropriaram de um fuzil deixado por criminosos em fuga, avaliado em cerca de R$ 30 mil. Nesse caso, parte da ação não pôde ser verificada porque a câmera de um dos policiais teria sido obstruída.

Em nota, o comando da Polícia Militar afirmou que não compactua com desvios de conduta e que pune com rigor crimes cometidos por integrantes da corporação.