
Donald Trump adquiriu ao menos US$ 1 milhão em títulos de dívida da Netflix e da Warner Bros Discovery (WBD), segundo um formulário de divulgação financeira, poucos dias depois de afirmar que estaria envolvido na análise da proposta de fusão entre as duas empresas.
O relatório, divulgado pela Casa Branca na sexta-feira, indica duas compras de títulos da Netflix e duas da WBD, cada uma no valor mínimo de US$ 502 mil.
As aquisições ocorreram em 12 e 16 de dezembro, pouco mais de uma semana após a Netflix anunciar um acordo para comprar a WBD por US$ 82,7 bilhões. A operação ainda depende de aval regulatório e chamou atenção porque Trump declarou que pretende participar desse processo.
Em 7 de dezembro, dois dias após o anúncio do negócio e cinco dias antes de iniciar as compras dos títulos, Trump disse a jornalistas no Kennedy Center que a participação de mercado da empresa resultante seria muito elevada. Segundo ele, a decisão envolveria análises econômicas e também sua atuação direta.
No dia seguinte, a Paramount Skydance lançou uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner Bros, com apoio financeiro de seu diretor-executivo, David Ellison, e de seu pai, Larry Ellison, bilionário do setor de tecnologia. Ambos mantêm relação próxima com o governo Trump.

O acordo entre Netflix e WBD enfrentou críticas de políticos dos Estados Unidos. A senadora Elizabeth Warren, de Massachusetts, classificou a operação como um “pesadelo antitruste”. O Sindicato dos Roteiristas da América também se manifestou contra a proposta, afirmando que ela pode eliminar empregos, pressionar salários, piorar condições de trabalho no setor de entretenimento, elevar preços para consumidores e reduzir a diversidade de conteúdo.
O relatório financeiro mostra ainda que Trump comprou cerca de US$ 100 milhões em títulos municipais e corporativos entre meados de novembro e o fim de dezembro. Nos primeiros seis meses de seu segundo mandato, ele já havia adquirido mais de US$ 100 milhões em títulos de empresas, estados e municípios, incluindo papéis do Citigroup, Morgan Stanley e Wells Fargo.
A Casa Branca não respondeu de imediato aos questionamentos. Um integrante do governo, citado pelo Washington Post, afirmou que a carteira de ações e títulos de Trump é administrada de forma independente por instituições financeiras terceirizadas e que nem o presidente nem familiares têm influência sobre as decisões de investimento.