Sakamoto: Mindset do crime mostra dono comprando imóvel com grana alheia

Atualizado em 17 de janeiro de 2026 às 22:56
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Antes de o Master ser liquidado pelo Banco Central (deixando um mundaréu de gente sem o dinheiro investido em CDBs e fundos de previdência a ver navios), Vorcaro e empresas ligadas a ele adquiriram ao menos R$ 2 bilhões em mansões, apartamentos e jatinhos, segundo levantamento do UOL conduzido por Natália Portinari, Amanda Rossi e Pedro Canário.

Entre os imóveis mais caros estão uma casa em Miami, avaliada em R$ 460 milhões, outra em Trancoso (BA), de R$ 300 milhões, e um apartamento nos Jardins, de R$ 50 milhões.

Embora existam fundos, gestores e bancos que operam dentro da lei, há um rosário de semoventes tentando levar vantagem sempre, atualizando a Lei de Gérson para caber no “mindset de sucesso”.

Fachada do Banco Master. Foto: reprodução

O estrago do Banco Master só foi possível porque seus CDBs podres foram empurrados por intermediários a investidores individuais, com promessas de mundos e fundos. E também porque muita gente não se interessa por uma devida diligência que avalie os papéis antes de vendê-lo ao povaréu, contanto que dê lucro. Afinal, tudo o que não é expressamente proibido pelos reguladores vira farra.

Não há nada de errado em investir em imóveis. O problema começa quando o dinheiro que vira parede saiu antes do cofre de terceiros. Quando a aposta conservadora de um vira o prejuízo definitivo de milhares. Quando o risco é privatizado no topo e socializado na base.

O caso do Master não é sobre gosto pessoal de banqueiro nem sobre escolhas racionais de portfólio. É sobre assimetria de poder, informação e punição. Sobre um sistema que tolera, normaliza e muitas vezes incentiva a esperteza travestida de empreendedorismo, desde que venha embalada em jargão financeiro e bons amigos em Brasília.

Enquanto isso não mudar, enquanto reguladores chegarem sempre depois e intermediários seguirem empurrando lixo com selo de oportunidade, seguiremos fingindo surpresa quando o próximo repetir o roteiro.