
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para este domingo, no Chipre, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar tarifas comerciais como forma de pressionar pela compra da Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca. O encontro reunirá embaixadores dos 27 países do bloco e busca coordenar uma resposta conjunta ao movimento americano.
Trump declarou que aplicará uma tarifa inicial de 10% contra oito países europeus até que haja um acordo envolvendo a Groenlândia. Segundo o presidente, a taxa subirá para 25% a partir de junho caso as negociações não avancem. Estão na lista Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia.

A reunião ocorrerá às 17h no horário local, em Nicósia, capital do Chipre, país que exerce a presidência rotativa da União Europeia. A avaliação entre diplomatas é de que a medida de Washington representa uma escalada comercial sem precedentes recentes e pode afetar diretamente as relações transatlânticas.
Em reação pública, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmaram que o uso de tarifas como instrumento de pressão política pode desencadear uma “perigosa escalada negativa”. Ambos reforçaram que o bloco permanecerá unido na defesa de sua soberania.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, alertou que o confronto tende a prejudicar a prosperidade econômica tanto da Europa quanto dos Estados Unidos. Segundo ela, disputas entre aliados favorecem potências como Rússia e China e desviam o foco de prioridades estratégicas, como a guerra na Ucrânia. Kallas também afirmou que eventuais preocupações com a segurança da Groenlândia poderiam ser tratadas no âmbito da OTAN.
Trump sustenta que a Groenlândia é estratégica para os EUA por sua posição no Ártico e para a implantação do chamado “Domo de Ouro”, um sistema antimísseis planejado por seu governo. Nos últimos dias, países europeus enviaram tropas à região a pedido da Dinamarca para reforçar a segurança local, enquanto o presidente americano voltou a afirmar que os EUA obterão o território “de um jeito ou de outro”.