
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um comentário irônico sobre a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência durante uma conversa reservada, em dezembro, com um dirigente partidário que mantém interlocução com o senador. O episódio ocorreu fora da agenda oficial e foi relatado por pessoas a par do encontro. As informações são de Lauro Jardim, do Globo.
Em tom de galhofa, Lula perguntou ao interlocutor se ele poderia levar um recado ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente citado nos bastidores como potencial nome da direita para a disputa presidencial de 2026. Diante da resposta positiva, o presidente fez o pedido de forma direta e jocosa.
“Então, peça que ele não desista”, disse Lula, arrancando risos dos presentes. A frase foi interpretada como uma provocação política, mas também como uma leitura estratégica do cenário eleitoral, marcada pela fragmentação do campo bolsonarista e pela disputa interna na direita.
Nos bastidores do governo e do partido, o anúncio de Flávio como possível escolhido do pai é visto menos como ameaça direta e mais como um fator de instabilidade no campo adversário. A leitura predominante é que a direita, já fragmentada, teria dificuldade para se unificar em torno de um nome com alto potencial de transferência de votos.
Dirigentes petistas apontam que Flávio carrega fragilidades políticas e jurídicas que dificultariam a construção de uma candidatura ampla, sobretudo quando comparada a alternativas como a do governador paulista Tarcísio de Freitas, considerado mais competitivo eleitoralmente. A eventual entrada do senador na disputa reforçaria disputas internas e reduziria as chances de formação de uma frente única contra Lula.
Essa avaliação interna encontra respaldo nos números da mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, que mostra Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro tanto em cenários de primeiro turno quanto em simulações de segundo turno para 2026.
