Quem é Tuca, a servidora que controlava emendas que virou alvo da PF e de Dino

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 11:44
Mariângela Fialek, que foi assessora de Arthur Lira na Presidência da Câmara. Foto: Agência Câmara

Mariângela Fialek, conhecida em Brasília como Tuca, tornou-se peça central nas investigações sobre o uso de emendas parlamentares após ser afastada por decisão do ministro do STF Flávio Dino e virar alvo de operação da Polícia Federal. Servidora da Câmara dos Deputados, ela ganhou notoriedade por controlar a engrenagem operacional do chamado orçamento secreto e passou a ser tratada, segundo relatos, como autoridade de alto escalão em reuniões na Esplanada dos Ministérios.

Ex-assessora direta de Arthur Lira, Tuca era descrita como a “chave do cofre” das emendas de comissão, com acesso a sistemas internos e circulação livre por ministérios estratégicos. Sua sala na Câmara virou ponto frequente de parlamentares interessados em acelerar repasses, e simples ligações suas eram capazes de interromper reuniões no Palácio do Planalto.

Para investigadores, a servidora é suspeita de direcionar emendas bilionárias sem critérios técnicos claros. Um dos episódios citados envolve o envio de planilhas com destinação de mais de R$ 1 bilhão sem identificação de autores ou beneficiários, fato relatado por parlamentares ouvidos no inquérito. Essa atuação teria ampliado o temor entre deputados após a PF identificar o que chamou de “conta de padaria” na distribuição dos recursos.

Mariângela Fialek e Arthur Lira (PP-AL). Foto: Reprodução

Apesar disso, há forte reação política em sua defesa. Deputados afirmam que Tuca apenas cumpria ordens da cúpula da Câmara e que sua atuação era delegada formalmente. A decisão de afastá-la é vista por parte do Congresso como um ataque institucional, o que levou a Mesa Diretora a pedir, em sigilo, seu retorno ao cargo no Supremo.

O histórico da assessora reforça seu peso político. Ela trabalhou com parlamentares de diferentes partidos, atuou nos governos de quatro presidentes e, no início do atual mandato de Lula, foi tratada como interlocutora direta de Lira junto à equipe econômica. Em reuniões no Ministério da Fazenda, técnicos relataram que suas falas eram recebidas como posições oficiais do então presidente da Câmara.

A defesa de Mariângela Fialek sustenta que sua função sempre foi técnica, limitada à organização orçamentária, e afirma que não teve acesso integral ao inquérito. Enquanto isso, a investigação segue sob relatoria de Flávio Dino, e o caso se tornou símbolo da disputa entre STF, PF e Congresso sobre os limites e responsabilidades no uso das emendas parlamentares.