De CAC a réu por duplo homicídio: o histórico do médico que matou dois colegas em SP

Atualizado em 18 de janeiro de 2026 às 11:27
Carlos Alberto Azevedo Silva Filho já havia sido preso por caso de racismo em 2025, mas acabou solto por determinação da Justiça. Foto: Reprodução

O médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, preso após matar a tiros dois colegas em Alphaville, na Grande São Paulo, é registrado como Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) e já havia sido detido em 2025 por agressão e injúria racial. O duplo homicídio ocorreu na noite de sexta-feira (16), em frente a um restaurante de luxo em Barueri, e foi registrado por câmeras de segurança.

De acordo com a polícia, Carlos Alberto se envolveu em uma discussão dentro do restaurante com os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35. A Guarda Civil interveio, questionou se ele estava armado e recebeu resposta negativa. Minutos depois, do lado de fora, o médico sacou uma pistola 9 mm de uma bolsa e disparou contra os dois, que morreram após serem socorridos.

Médico é preso por matar outros dois médicos a tiros em Barueri — Foto: Reprodução/TV Globo

O histórico do acusado inclui uma prisão em Aracaju, no ano passado, quando, segundo registros, chegou embriagado a um hotel de luxo, agrediu funcionários, danificou equipamentos e cometeu injúria racial. Ele foi autuado em flagrante, permaneceu custodiado em cela especial e acabou liberado após pagamento de fiança. Vídeos do episódio mostraram empurrões, destruição de bens e confusão na recepção.

Formado pela Universidade do Extremo Sul Catarinense, Carlos Alberto atuava como diretor técnico da Cirmed Serviços Médicos, empresa com unidades em Barueri e Bauru que presta serviços à rede pública em cidades paulistas e de outros estados. Em material institucional, era apresentado como CEO e defendia a gestão privada aplicada ao sistema público de saúde.

Apesar do registro como CAC, a polícia informou que ele não tinha porte de arma para defesa pessoal, o que torna irregular o uso da pistola no crime. A arma, cápsulas deflagradas, documentos e cerca de R$ 16 mil em dinheiro foram apreendidos e passarão por perícia. A Justiça decretou a prisão preventiva do médico.

As vítimas eram profissionais conhecidos na região. Luís Roberto atuava como cardiologista em hospital municipal de Barueri. Vinicius trabalhava na rede pública de Cotia desde 2019, com passagem pelo hospital de campanha na pandemia. O caso segue sob investigação para esclarecer as circunstâncias e eventuais responsabilidades adicionais.