
A Nike anunciou o lançamento de uma edição especial de tênis inspirada em Martin Luther King Jr., mas a iniciativa provocou forte controvérsia nas redes sociais e entre ativistas dos direitos civis. O modelo, chamado “Honor the King”, usa como referência estética o tom azul-turquesa do Lorraine Motel, em Memphis, local onde o líder foi assassinado em 1968. A escolha da inspiração gerou críticas por associar um produto comercial diretamente ao cenário da morte de King.
O tênis faz parte da linha assinada por LeBron James e foi usado pelo jogador em quadra no início de janeiro, durante partida entre Los Angeles Lakers e Memphis Grizzlies. Segundo a Nike, o lançamento integra uma série comemorativa da carreira do atleta e buscaria homenagear a vida e o legado de Martin Luther King Jr..
A repercussão negativa ganhou força após imagens do calçado circularem na internet. Críticos consideraram a proposta de mau gosto por remeter diretamente ao assassinato do líder dos direitos civis. Para o fotógrafo e entusiasta de sneakers Randy Singleton, a associação foi “ultrajante”, afirmando que, entre tantos símbolos possíveis da trajetória de King, o local de sua morte não deveria ser transformado em produto.

Em resposta às críticas, um porta-voz da empresa afirmou que o design foi pensado como uma homenagem e reconheceu que o tema é sensível. Segundo ele, “o design é subjetivo” e se torna ainda mais delicado quando envolve figuras históricas e princípios maiores, reforçando que a intenção não foi explorar a tragédia, mas lembrar a importância de King.
O Museu Nacional dos Direitos Civis, que funciona atualmente no antigo Lorraine Motel, informou que não participou do desenvolvimento ou do lançamento do tênis. O presidente da instituição afirmou que soube do produto poucos dias antes do anúncio público e destacou que, embora a Nike seja uma apoiadora histórica do museu, não houve consulta prévia sobre o uso da referência.
A polêmica surge em um contexto político e social sensível nos Estados Unidos, marcado por debates sobre memória histórica, direitos civis e apropriação comercial de símbolos da luta negra. Para dirigentes do museu, o episódio reforça a necessidade de tratar o legado de King com cuidado e respeito, lembrando que sua história vai além do local onde foi assassinado e está ligada a uma luta coletiva por justiça e igualdade.