
Um estudo divulgado pela Associação Americana para o Estudo de Doenças Hepáticas, publicado em janeiro de 2026, aponta que a gordura no fígado é uma condição com alta incidência em regiões como América do Sul, Oriente Médio e Norte da África. No Brasil, a doença afeta cerca de 30% da população, segundo pesquisas nacionais citadas na publicação.
Claudia Meireles, colunista do Metrópoles, ouviu a hepatologista Liz Marjorie que é mestra em gastroenterologia e hepatologia, para explicar quais são os caminhos possíveis para o tratamento da esteatose hepática. A especialista atua em Juazeiro do Norte, no Ceará, e esclareceu que não existe uma única abordagem válida para todos os pacientes.
De acordo com a médica, o primeiro passo é identificar a causa do acúmulo de gordura no fígado. O órgão não deve apresentar mais de 5% de gordura em sua composição. Quando esse limite é ultrapassado, há um fator associado que precisa ser investigado antes de qualquer definição terapêutica.
Entre as causas mais frequentes estão alterações metabólicas, como obesidade, resistência à insulina, pré-diabetes e diabetes. Nesses casos, o excesso de gordura no fígado costuma estar relacionado também a níveis elevados de colesterol e a condições como a hipertensão.

O consumo de bebidas alcoólicas é outro fator relevante apontado pela especialista. A ingestão frequente de álcool provoca estresse nas células hepáticas e pode levar ao desenvolvimento da esteatose. Além disso, infecções virais e doenças autoimunes também podem estar associadas ao quadro.
Quando a origem da doença está ligada ao álcool, o tratamento envolve a redução ou suspensão do consumo. Já nos casos de origem metabólica, a orientação inclui mudanças no estilo de vida, como prática regular de atividade física e ajustes na alimentação, com menor ingestão de carboidratos.
Em algumas situações, pode ser necessária a prescrição de medicamentos para controle do colesterol. A hepatologista explica ainda que tratamentos mais recentes passaram a ser utilizados em casos específicos, especialmente quando há associação com fibrose hepática.
Segundo Liz Marjorie, medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, como a semaglutida na dosagem 2.4, já foram aprovados pelo FDA e pela Anvisa para o tratamento da esteatose hepática associada à disfunção metabólica. A especialista reforça que a escolha do tratamento depende diretamente da causa identificada.