
As projeções indicam que António José Seguro e André Ventura devem disputar o segundo turno das eleições presidenciais. Levantamento divulgado na noite desta eleição pela Universidade Católica para a RTP aponta um quadro fragmentado, sem definição do vencedor já na primeira rodada.
António José Seguro, candidato apoiado pelo Partido Socialista, aparece na liderança, com um percentual estimado entre 30% e 35% dos votos. Logo atrás surge o ultradireitista André Ventura, do Chega, com desempenho projetado entre 20% e 24%.
Na terceira colocação está João Cotrim Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, com intenção de voto entre 17% e 21%. Apesar de ainda ter alguma chance matemática de avançar ao segundo turno, as projeções indicam que essa possibilidade é limitada. Henrique Gouveia e Melo aparece na sequência, com uma faixa estimada entre 11% e 14%.
Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP, deve alcançar entre 8% e, no máximo, 11% dos votos. Caso esse resultado se confirme, representará uma derrota expressiva tanto para o candidato quanto para o primeiro-ministro Luís Montenegro, que participou ativamente da campanha e pediu votos ao seu lado.
Os dados também apontam um desempenho fraco dos partidos à esquerda do PS. Catarina Martins, apoiada pelo Bloco de Esquerda, ficaria entre 1% e 3%. O candidato comunista António Filipe também não ultrapassaria os 3%. Manuel João Vieira aparece com algo entre 1% e 2%, enquanto Jorge Pinto, apoiado pelo Livre, teria no melhor cenário até 1% dos votos.
Se nenhum candidato alcançar mais de 50% dos votos válidos, como indicam as projeções, a eleição será decidida em um segundo turno entre os dois mais votados, conforme determina a Constituição. Nesse cenário, a disputa final ficaria entre António José Seguro e André Ventura, inaugurando uma nova fase de campanha marcada pelo confronto direto entre os dois.
Portugal só teve um segundo turno presidencial em toda a sua história recente em 1986. Mesmo assim, António José Seguro fica bem abaixo do desempenho alcançado por Freitas do Amaral naquela ocasião, quando venceu a primeira rodada, mas acabou derrotado no resultado final.
O desempenho coloca Seguro como o pior vencedor de uma primeira rodada em eleições presidenciais portuguesas. A comparação com pleitos anteriores evidencia a fragilidade do resultado. Em 1976, Ramalho Eanes foi eleito já no primeiro turno, com 2.967.414 votos, o equivalente a 60,74%. Quatro anos depois, em 1980, Eanes voltou a vencer na primeira rodada, dessa vez com 55,87% dos votos, somando 3.258.272.
A única exceção ao padrão de vitória direta ocorreu em 1986, quando houve segundo turno. Naquele ano, Freitas do Amaral terminou a primeira fase na liderança, com 45,79% dos votos, o que representou 2.628.178 eleitores, mas não conseguiu confirmar a vitória na etapa final da eleição.