
Cerca de 158,4 mil pessoas se registraram como Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) nos três primeiros anos do governo Lula. O número representa uma queda de quase 64% em relação aos 438,7 mil registros emitidos no mesmo período da gestão de Jair Bolsonaro. Atualmente, o país soma 1.026.633 CACs ativos. Com informações do jornalista Lauro Jardim, do Globo.
A Polícia Federal passou a assumir, em julho do ano passado, as atribuições de registro, controle e fiscalização das atividades de CACs. Naquele mês, foram registrados cerca de 84 mil certificados. Em 2024, o Exército emitiu aproximadamente 73,3 mil registros, enquanto em 2025 o total chegou a 84.090. Já em 2023, primeiro ano da atual gestão, apenas 996 certificados foram concedidos.

Durante o governo Bolsonaro, o número de registros cresceu de forma acelerada. Em 2019, foram 80.061 novos CACs — volume 4,7 vezes maior que o do ano anterior. O total subiu para 126.619 em 2020 e alcançou 232.035 em 2021. Ao longo de toda a gestão Bolsonaro, mais de 800 mil certificados foram emitidos.
Além disso, dados divulgados pela Polícia Federal mostram que os certificados ativos de CACs correspondem a 1,58 milhão de armas registradas no país. Segundo a corporação, cerca de 30% dos certificados não estão vinculados a nenhuma arma, principalmente de atiradores que utilizam armamento pertencente a clubes e estandes de tiro.
Desde que assumiu a fiscalização da categoria, a PF recebeu aproximadamente 690 mil requerimentos relacionados a CACs, com média de 130 mil processos por mês. Desse total, 18% ainda aguardam análise e 2% apresentam pendências documentais. Para dar conta da demanda, a corporação prevê investir R$ 12 milhões na modernização de sistemas, com a meta de automatizar quase 80% do fluxo processual.
O levantamento também aponta impacto financeiro com a cobrança de taxas, que já arrecadaram R$ 15 milhões desde a transferência da competência. Em julho de 2026, cerca de 1,5 milhão de registros de armas devem vencer simultaneamente, o que representa um dos principais desafios da nova gestão. Segundo a PF, a mudança busca reforçar o controle, a rastreabilidade e a prevenção do desvio de armas, além de fortalecer o combate ao crime organizado.