
António Seguro (Partido Socialista) e André Ventura (Chega) são os dois candidatos no segundo turno da eleição portuguesa. Apesar de outros três candidatos competitivos — Luís Marques (PSD), Henrique Gouveia e Melo (independente) e João Cotrim Figueiredo (Iniciativa Liberal) —, estes perderam força na reta final.
Segundo as projeções das televisões portuguesas, Seguro teria por volta de 33%, contra 23% previstos nas sondagens. Já Ventura, que gosta de se intitular “Bolsonaro português”, teria cerca de 27%, ante 20% esperados pelas pesquisas de opinião.
Durante toda a corrida presidencial, os cinco principais candidatos oscilaram entre 15% e 20%, com todos correndo risco de ficar fora da segunda volta até a última semana antes da votação.
Entretanto, “o eleitor português se mostrou mais pragmático, afunilando o voto na centro-esquerda (Seguro) e na extrema-direita (Ventura)”, explica Samer Beloni, professor de Geografia, especialista em Política Internacional e responsável pelo perfil Conexão Américas no X (antigo Twitter).

Pela primeira vez em 40 anos, desde a redemocratização do país europeu, haverá um segundo turno no pleito presidencial. Além da multiplicidade de candidatos, há um certo desencanto com os tradicionais PS (esquerda) e PSD (centro-direita).
Apesar do mau resultado nas eleições parlamentares de 2025, nas quais o Chega conseguiu vitórias em apenas três concelhos (prefeituras), André Ventura tinha a expectativa de chegar à frente neste domingo. O clima no quartel-general do Chega, em Lisboa, capital portuguesa, era de certo desânimo, conforme as imagens das televisões locais.
“Ventura tem uma rejeição superior a 60% e perderia contra qualquer outro dos quatro principais candidatos. Mas, ao chegar ao segundo turno, ganha força para barganhar poder dentro do governo minoritário do premiê Luís Montenegro”, diz António Costa Pinto, cientista político da Universidade de Lisboa.
Outros candidatos
Marques, candidato do PSD, apresentava uma ambiguidade danosa à sua candidatura. “Ele era candidato do governo e, ao mesmo tempo, precisava criticar algumas políticas da gestão Montenegro. Aliada à falta de tração nos meios digitais, essa dubiedade matou sua pretensão de chegar ao segundo turno”, explica o cientista político Guilherme Karl, da UFRJ.
Já Gouveia e Melo, ex-militar e candidato independente, teve uma trajetória digna de Celso Russomanno nas eleições para prefeito de São Paulo. “O ex-almirante começou a campanha com quase 40% e vai terminar com 12%. Apesar de se vender como outsider, precisou se aproximar dos políticos tradicionais e também duvidou da lisura das pesquisas eleitorais”, acrescenta Karl.
Cotrim, da Iniciativa Liberal, algo como o Partido Novo no Brasil (mais pró-liberalismo e privatizações), tinha 19% nas sondagens e brigava pelo segundo turno com Ventura. Porém, além da acusação de assédio sexual por uma assessora, uma fala indicando a possibilidade de apoiar Ventura no segundo turno derrubou suas chances de chegar à segunda volta.