
O fundo imobiliário da Neo Química Arena, estádio do Corinthians, terá de buscar uma nova administradora após o Banco Central decretar, na última quinta-feira (15), a liquidação da Reag Trust, responsável pela gestão do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII). A instituição havia assumido o fundo em 2023, substituindo a BRL Trust. Segundo dados de 31 de dezembro de 2025, o Arena FII tem patrimônio líquido de R$ 672 milhões e três cotistas, todos pessoas jurídicas não financeiras. Com informações da Folha de S.Paulo.
A Reag é investigada por suspeita de envolvimento em uma fraude financeira que teria inflado ativos ligados ao Banco Master. A empresa também foi alvo da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro. Uma fonte com conhecimento do caso afirmou que, desde a operação, o Corinthians tenta substituir a administradora, mas a decisão também depende da Caixa Econômica Federal.
Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur integra o conselho deliberativo do Palmeiras e, em abril de 2025, passou a compor o conselho de orientação e fiscalização do clube. Mansur deixou a presidência do conselho de administração da Reag em setembro de 2025, em meio à crise gerada pela investigação.

Sua defesa afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas disse estar à disposição das autoridades. O empresário já esteve envolvido em outras controvérsias no futebol e chegou a ser alvo de apuração interna no Palmeiras em 2009 por um contrato de consultoria estimado em R$ 2,4 milhões.
Com a liquidação extrajudicial, os fundos administrados pela Reag ficam congelados, mas não são encerrados, já que os ativos pertencem aos cotistas, e não à gestora. Cabe ao Banco Central ou aos próprios investidores indicar uma nova administradora.
“Durante esse período de transição, enquanto não há um novo gestor formalmente indicado, o fundo fica bloqueado para movimentações. Não há entrada nem saída de cotistas”, afirma Cristiano Correa, professor de finanças do Ibmec. Caso nenhuma gestora aceite assumir o fundo, ele poderá ser liquidado, com lucros ou prejuízos divididos entre os cotistas.