
Monitorado por dezenas de câmeras, um agora ex-participante do BBB tocou uma mulher sem consentimento, segurou seu pescoço e tentou beijá-la à força dentro de uma despensa. Tudo isso sendo assistido pelo Brasil inteiro.
Se isso acontece sob vigilância constante, dá pra imaginar o que esses homens não fazem quando ninguém está vendo?
Pra mim, dá.
Pedro, que já vinha sendo duramente criticado dentro e fora da casa por ser completamente sem noção, desistiu do programa antes de ser expulso. Além de tudo, covarde. E ainda deixou como “despedida” um vídeo constrangedor no confessionário, daqueles que dão vergonha de ter assistido.
“Eu pensei que era recíproco, mas foi coisa da minha cabeça”, disse ele. A velha encenação de inocência, como se consentimento fosse algo que se supõe, não algo que se pergunta e se respeita.
Querido, consentimento não é interpretação pessoal. É acordo explícito. E você não é inocente.
Assédio no #BBB26: Globo mostra gravação inédita de Pedro e Jordana na despensa (🎥 @tvglobo) pic.twitter.com/pKEsvHn0pA
— Hugo Gloss (@HugoGloss) January 19, 2026
Pior ainda foi recorrer à ideia de adoecimento mental para tentar encobrir um comportamento criminoso. Forjar doença para justificar mau-caratismo é uma das coisas mais sujas que alguém pode fazer, porque banaliza a dor real de quem vive com transtornos e neurodivergências. Dói pra caralho ser neurodivergente. Não é figurino pra criminoso vestir quando convém.
Além de tratar mulheres como pedaços de carne disponíveis no mercado, ele ainda desrespeita toda uma comunidade. Patologizar comportamento criminoso deveria ser, por si só, outro crime.
Por ironia do destino, quem primeiro desmontou o teatrinho foi Ana Paula Renault, a mesma mulher que, anos atrás, confrontou em rede nacional um homem que hoje está preso por estupro de vulnerável. Ela reconheceu rápido o roteiro do coitadismo: esse cara sabe exatamente o que está fazendo.
E sabia. Tanto que, tirando a malandro, apertou o botão de desistência antes de ser expulso, tentando sair pela porta lateral da história. Não conseguiu.
eu estou enojado com esse depoimento do pedro no confessionário, ele já tinha premeditando tudo isso e só precisava de uma oportunidade #BBB26 pic.twitter.com/XZ9e8zXlRJ
— blogayro decadente🪇 (@peacekeller) January 19, 2026
Pedro não é doente. É um filho perfeito e saudável do patriarcado. Um tipo comum. E os números provam que ele não é exceção: quase metade das mulheres brasileiras sofreu algum tipo de assédio em 2022, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Isso dá cerca de 30 milhões de mulheres em um único ano. Uma mulher assediada a cada segundo no Brasil.
Uma por segundo.
Por isso relativizar assédio é ofensivo. É cuspir nesses números. É fingir que não se trata de um padrão estrutural.
“Ah, mas ele acabou com a própria vida.” sim, e f*da-se. Ele desrespeitou uma mulher, provavelmente a traumatizou, expôs a esposa grávida e acionou a máquina clássica da autopiedade masculina.
Quem se importa?
Nem a própria equipe. O administrador das redes sociais resumiu: “não tem justificativa para o que ele fez”. Traduzindo: não há salário que compre a defesa do indefensável.
“Ele é jovem, ele é homem”, “ele errou”.
Ele assediou uma mulher. Ponto.
Sem explicação, sem permissão, sem “mas”.
Enquanto continuarem chamando crime de assédio de doença ou de mal-entendido, mulheres vão continuar pagando a conta.
Sinceramente este Pedro tem sair, fingir que está com ansiedade é situação mais podre q ele está fazendo.
Ter crises de ansiedade e viver com ansiedade é horrível e ele brincar com isso só mostra como ele é uma pessoa péssima
— gabs 🏒 (@jbsandgabs) January 17, 2026