“Dogging”: Plataforma de swing lista 442 locais no Rio ligados a sexo em público

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 8:43
Cenas de sexo coletivo da Pedra do Arpoador, no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

O Rio de Janeiro aparece com 442 locais apontados por usuários como pontos para sexo em locais públicos — prática conhecida como dogging — em uma plataforma voltada a adeptos de sexo liberal e conteúdo adulto. O número coloca o estado na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo, e revela a dimensão de uma prática que reúne pessoas de diferentes grupos sociais, gêneros e orientações sexuais, conforme informações do Globo.

Na Zona Sul, ganhou os holofotes o episódio que ficou conhecido como “Surubão do Arpoador”, após imagens circularem nas redes sociais e no noticiário nos primeiros dias de 2025.

A repercussão levou a prefeitura a adotar medidas para disciplinar o uso da área, incluindo a proibição de visitação durante a madrugada. Ainda assim, o levantamento mostra que a praia está longe de ser a única opção para quem busca encontros sexuais em espaços públicos na capital fluminense.

Prática antiga

Um integrante de um casal heterossexual, de 54 anos, ouvido pelo Globo, afirma que se interessa por sexo ao ar livre desde a maioridade. “Sempre me atraíram essas interações mais livres, desde bem jovem”, diz ele, frequentador da Praia da Reserva e do Mirante do Pasmado. “Com 18 anos, eu já tinha a mente assim. Eu acho que está no DNA.”

Segundo o sociólogo João Otávio Galbieri, pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política do Iuperj, o sexo em público não é novidade no Rio. “Sexo em público existe há muito tempo e, em termos historiográficos, são diversos os registros em regiões da cidade”, afirma.

Ele cita o livro Além do Carnaval, de James Green, que relata práticas de sociabilidade homoerótica no então Largo do Rossio, atual Praça Tiradentes, ainda no século XIX, o que motivou pedidos de maior controle por parte do poder público à época.

Regras, códigos e limites legais

No Rio de 2026, após a viralização de imagens de uma orgia no Arpoador, a prefeitura e a Polícia Militar anunciaram novas regras. O local, que funcionava 24 horas, passou a ter horários definidos, com abertura às 4h e fechamento às 21h.

Arpoador – Wikipédia, a enciclopédia livre
Pedra do Arpoador, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Foto: Reprodução

Enquanto isso, outros pontos da cidade seguem sendo utilizados por praticantes, muitas vezes com códigos próprios para indicar interesse, como tatuagens, adesivos ou colares com símbolos específicos.

Pela legislação brasileira, a prática pode ser enquadrada como ato obsceno, previsto no artigo 233 do Código Penal.

Dados do Instituto de Segurança Pública mostram que as denúncias desse tipo no estado caíram de 511 em 2014 para 300 em 2019, antes da pandemia, e voltaram a crescer entre 2022 e 2024, quando variaram de 291 a 298 registros, ainda abaixo dos patamares anteriores.

Por que o interesse cresce

Para a sexóloga clínica Lari Rocha, especialista em relações plurais, diversos fatores explicam a atração pelo dogging. “Os motivos que fazem essas pessoas se atraírem pela prática sexual ao ar livre são o interesse pelo proibido ou pelo exibicionismo, além da observação ou do voyeurismo”, afirma.

Ela destaca ainda que sensações físicas ligadas à adrenalina e ao medo contribuem para o apelo da prática e que, mesmo em ambientes públicos, há regras mínimas de organização e consentimento.

“Há sinais de luz de farol e posicionamento dos veículos para indicar o interesse para as outras pessoas, mostrando a importância do consentimento”, explica.