A cautela de Lula e Vieira sobre o convite de Trump para o “Conselho de Paz” em Gaza

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 20:45
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores, e Lula. Foto: AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (19), no Palácio do Planalto, com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. No encontro, foi tratado o convite feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o Brasil participe de uma iniciativa internacional voltada à Faixa de Gaza.

Segundo auxiliares do presidente, Lula ainda não decidiu se aceitará a proposta. O governo analisa o documento encaminhado pelos Estados Unidos e avalia as implicações diplomáticas, políticas e financeiras de uma eventual adesão.

Integrantes do Executivo afirmam que estão sendo considerados pontos como os objetivos da iniciativa, os países que devem integrá-la, o posicionamento dessas nações em relação ao conflito e a possibilidade de custos financeiros decorrentes das decisões que venham a ser tomadas.

A criação do grupo foi anunciada pela Casa Branca na semana passada. De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg News, um rascunho do estatuto do órgão prevê que países interessados em ocupar assentos permanentes deverão contribuir com pelo menos US$ 1 bilhão. O documento também atribui a Trump a presidência inicial do grupo, com poder decisório final sobre a entrada de membros e as deliberações.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Diplomatas ouvidos pelo governo afirmam que ainda há indefinições relevantes sobre o funcionamento da iniciativa e defendem a consulta a países com atuação direta no tema. Segundo um desses interlocutores, “Trocar ideias com outros países relevantes na questão é assim que se constrói uma posição em questão de tamanha relevância”, afirmou.

O Brasil reconhece o Estado da Palestina e, desde o início da atual fase do conflito, tem defendido medidas voltadas ao cessar-fogo e à ampliação da ajuda humanitária. Em outubro de 2023, o país tentou aprovar uma resolução nesse sentido no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, mas a proposta foi vetada pelos Estados Unidos.