“Cerco se fechando”: Governo brasileiro vê cenário favorável sobre extradição de Zambelli

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 7:20
Carla Zambelli em audiência no Tribunal de Apelações de Roma, em agosto. Foto: Reprodução/TV Globo

Confiante no desfecho favorável do pedido de extradição, o governo brasileiro avalia que o cerco em torno de Carla Zambelli (PL-SP) se estreitou com o avanço do processo na Justiça italiana. A ex-deputada será julgada após duas audiências adiadas, a última delas a pedido da defesa, que solicitou mais tempo para analisar documentos enviados pelo Brasil sobre as condições do sistema prisional, conforme informações do colunista Lauro Jardim, do Globo.

A leitura de autoridades é de que o processo entrou em fase decisiva porque toda a documentação exigida foi apresentada à Corte de Apelação. Segundo essa avaliação, o Brasil prestou garantias sobre as condições de cumprimento da pena e encaminhou também informações relativas à segunda condenação de Zambelli.

Nesse contexto, integrantes do governo consideram que a alegação de perseguição política não se sustenta e que a questão de saúde da ex-parlamentar deixou de ter peso relevante no julgamento.

Apesar do otimismo, fontes admitem que a Corte de Apelação pode não anunciar a decisão nesta terça-feira. Isso pode ocorrer tanto por um eventual novo pedido da defesa quanto pelo próprio procedimento do tribunal, que, em ocasiões anteriores, já suspendeu audiências para comunicar o resultado posteriormente, seja por escrito, em até 24 horas, seja convocando os advogados.

Uma autoridade resumiu o cenário ao afirmar: “Vamos aguardar se a defesa não vem com mais uma chicana”.

Prisão, condições carcerárias e próximos passos

As condições carcerárias no Brasil são um dos principais pontos analisados pela Justiça italiana. Presa em Roma desde julho, a bolsonarista teve a extradição defendida pelo Ministério Público italiano, que rejeitou a tese de perseguição política.

Em documento enviado pelo governo brasileiro, foi informado que ela deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. O relatório destaca que a unidade é organizada por alas distintas, “garantindo a adequada separação de perfis e o atendimento das necessidades específicas das mulheres privadas de liberdade”.

Fotos da Ala B do Bloco 6, na Colmeia. Foto: Reprodução/Vara de Execuções Penais do DF

Independentemente do resultado na Corte de Apelação, defesa e acusação ainda podem recorrer à Corte de Cassação. Somente depois disso caberá ao Ministério da Justiça da Itália dar o veredito final. A aposta de autoridades brasileiras, no entanto, é que o governo italiano não contrariará a decisão judicial.

No Brasil, Zambelli foi condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça, em ação que contou com a participação do hacker Walter Delgatti Neto. Após a condenação, ela deixou o país e acabou presa na Itália.