
Publicado originalmente em RFI
A medida é apresentada como uma retaliação direta se o presidente Emmanuel Macron recusar o convite de integrar o recém-proposto “Conselho da Paz”, iniciativa de Trump que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.
Em entrevista à emissora TF1, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, classificou a ameaça como “inadmissível” e de uma “brutalidade inédita”. Segundo a ministra, o comportamento de Trump exige uma reação conjunta da França e dos demais países europeus.
A França é a principal potência agrícola da Europa e, com a Itália, um dos maiores países produtores de vinho do mundo. Os Estados Unidos são o principal mercado de exportação da França, que sozinha responde por metade das exportações de vinho da União Europeia. Em 2024, a França exportou € 2,4 bilhões em vinho e € 1,5 bilhão em bebidas destiladas para os Estados Unidos (cerca de 25% de suas exportações).
O projeto de Trump prevê um órgão com funcionamento paralelo à ONU, onde os convites para países aliados teriam validade de três anos. No entanto, documentos consultados pela imprensa revelam que a obtenção de um assento permanente no conselho exigiria uma contribuição de US$ 1 bilhão.
O governo brasileiro foi convidado a participar da iniciativa, mas ainda não se manifestou.

Recusa francesa
Uma fonte próxima do governo de Macron disse à AFP que a França, na condição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, não pretende aderir ao novo grupo, citando a necessidade de respeitar os princípios e a estrutura das Nações Unidas.
Ao ser questionado por jornalistas em Washington sobre a recusa francesa, Trump ironizou a liderança de Macron. “Ele disse isso? Bem, ninguém quer ele, porque ele estará em breve sem mandato”, afirmou o presidente antes de embarcar para o Fórum Econômico Mundial em Davos. Trump acrescentou que a imposição das tarifas seria uma forma de “convencer” o homólogo francês a ceder.
O novo embate ocorre em um clima de crescente animosidade diplomática. No final de semana anterior ao anúncio, Trump já havia ameaçado sobretaxar diversos países europeus, incluindo a França, devido à oposição à sua intenção de anexar a Groenlândia.