
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vai a Israel em missão oficial bancado pelo Senado, em meio ao esforço de consolidar sua pré-candidatura à Presidência e ampliar pontes com a direita internacional. O parlamentar desembarca no país para participar de um evento sobre antissemitismo, com despesas custeadas pelos cofres públicos, conforme informações do Metrópoles.
Flávio foi convidado para palestrar ao lado do irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), ex-deputado federal que teve o mandato cassado no ano passado.
A viagem foi autorizada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em despacho de 22 de dezembro. No documento, Alcolumbre determinou que passagens aéreas, diárias e seguro-viagem do parlamentar sejam pagos pela Casa, conforme as regras internas para missões oficiais ao exterior.
Custos e cronograma
As normas do Senado permitem o custeio de viagens internacionais desde que o roteiro seja reconhecido como missão oficial e autorizado pela Presidência ou pelo plenário. Além das passagens, estão incluídos gastos com hospedagem, alimentação e deslocamentos. No início do ano, o Senado atualizou o valor das diárias no exterior para US$ 656,46.
Alcolumbre autorizou 12 dias de missão oficial para Flávio Bolsonaro, cobrindo as datas em que o senador informou participação em eventos em Israel, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. No total, o parlamentar terá direito a receber quase US$ 7,9 mil — mais de R$ 42 mil — em diárias.
Até o momento, Flávio Bolsonaro não informou ao Senado os gastos com passagens aéreas. Pelas regras, a prestação de contas pode ser apresentada em até cinco dias úteis após o retorno. As diárias devem ser pagas antes do início da agenda em Israel, marcada para 26 de janeiro.
O evento e a agenda política
A conferência, endossada por integrantes do governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, contará com discurso do próprio premiê. No site oficial, a programação afirma tratar de “desafios permanentes” no combate aos ataques contra comunidades judaicas, como “teorias da conspiração antissemitas que prosperam na retórica dos movimentos políticos” e “como a imigração para a Europa levou a um aumento do antissemitismo”.
Apesar de estar em missão pelo Senado, a assessoria do parlamentar informou que a fala de Flávio será marcada por “diretrizes que pretende adotar em um eventual futuro governo” e pela ampliação das relações bilaterais estabelecidas durante o governo Bolsonaro.
Além de Flávio e Eduardo, o evento reunirá nomes da direita internacional, como o ministro da Justiça da Argentina, Mariano Cúneo Libarona, o premiê da Albânia, Edi Rama, e o embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee. O senador também deverá participar de um jantar de gala restrito a autoridades no dia 26.
Após Israel, a comitiva seguirá para o Bahrein, entre 28 de janeiro e 2 de fevereiro, e, na sequência, para os Emirados Árabes Unidos, de 3 a 6 de fevereiro.
