Europa reage a Trump e fala em “novo colonialismo” na disputa pela Groenlândia

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 17:13
O presidente dos EUA, Donald Trump. Foto: Divulgação

A crise diplomática em torno da Groenlândia se intensificou após novas declarações de Donald Trump, levando líderes europeus a acusarem o presidente dos Estados Unidos de promover um “novo colonialismo”. Trump afirmou que não pretende recuar do objetivo de controlar a ilha do Ártico e voltou a ameaçar impor tarifas econômicas a países que se oponham ao plano americano.

No Fórum Econômico Mundial, em Davos, o presidente francês Emmanuel Macron declarou que este não é um tempo de imperialismo nem de colonialismo e criticou o uso de tarifas como instrumento de pressão política e territorial. Segundo ele, Washington tenta submeter a Europa por meio de exigências excessivas e medidas comerciais inaceitáveis, especialmente quando vinculadas à soberania de outros países.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou as ameaças de Trump como um erro grave. Ela lembrou que União Europeia e Estados Unidos firmaram recentemente um acordo comercial e ressaltou que compromissos precisam ser respeitados. Von der Leyen afirmou ainda que a UE deseja evitar uma deterioração das relações, mas deixou claro que o bloco responderá de forma unida e proporcional caso seja necessário.

Outros líderes foram ainda mais diretos. O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, disse que a Europa enfrenta uma encruzilhada histórica e alertou que tantas linhas vermelhas estão sendo ultrapassadas que o continente corre o risco de perder sua dignidade se não reagir. Ele destacou a gravidade de um país da Otan ameaçar outro com invasão, sugerindo que décadas de alinhamento transatlântico podem estar chegando ao fim.

O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever. Foto: Divulgação

Trump, por sua vez, reafirmou nas redes sociais que considera a Groenlândia essencial para a segurança nacional e mundial dos Estados Unidos. O presidente publicou mensagens e imagens simbólicas sugerindo a incorporação da ilha ao território americano e afirmou que “não há volta” em sua decisão. As declarações ampliaram a tensão política e alimentaram temores de uma escalada diplomática e econômica.

A disputa já afeta as relações comerciais entre a União Europeia e os EUA. O bloco europeu discute possíveis medidas de retaliação, incluindo tarifas sobre produtos americanos e o uso de instrumentos legais que podem restringir o acesso dos EUA a mercados, investimentos e serviços. Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com o impacto da crise sobre a Otan, pilar da segurança ocidental desde o pós-guerra.

Autoridades da Groenlândia e da Dinamarca alertaram que, embora o uso de força militar seja improvável, qualquer escalada teria consequências internacionais. Países europeus avaliam reforçar sua presença militar no Ártico como forma de garantir estabilidade na região.

Enquanto isso, vozes como a do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, defendem maior coordenação entre potências médias diante de um cenário global cada vez mais marcado pela rivalidade entre grandes Estados. O episódio da Groenlândia, segundo analistas e líderes europeus, expõe o enfraquecimento das regras que regeram a ordem internacional nas últimas décadas e aprofunda o debate sobre a necessidade de maior autonomia estratégica da Europa.