
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu nesta terça-feira (20) que a população da ilha comece a se preparar para a possibilidade de uma invasão militar. A declaração foi feita durante entrevista coletiva à imprensa, em meio à escalada de tensões envolvendo os Estados Unidos.
Segundo ele, o governo local já trabalha com cenários de uma eventual incursão militar americana. Ele afirmou que autoridades foram orientadas a organizar uma força-tarefa responsável por elaborar instruções práticas à população, incluindo orientações sobre estocagem de alimentos e procedimentos em caso de conflito armado.
“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, declarou o premiê, ao mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O chefe do governo groenlandês ressaltou que considera improvável um confronto militar, mas frisou que a hipótese não pode ser ignorada. “Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade”, afirmou. Segundo ele, o simples fato de o cenário existir já exige planejamento preventivo.
Nielsen também destacou que a Groenlândia integra a OTAN, o que amplia as implicações de qualquer escalada. “Se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior”, disse, ao alertar para o impacto global de uma crise no Ártico.
🚨JUST IN:
Greenland PM Jens-Frederik Nielsen tells Greenland residents they should be prepared for an invasion.
"it is not likely, but it has not been ruled out" pic.twitter.com/9bdhV0ZDQ0
— Tablesalt 🇨🇦🇺🇸 (@Tablesalt13) January 20, 2026
No mesmo dia, Trump voltou a endurecer o discurso e afirmou que “não há volta atrás” em seu objetivo de controlar a Groenlândia, recusando-se a descartar o uso da força. O presidente norte-americano sustenta que a ilha é estratégica para a segurança dos Estados Unidos, tanto por sua posição geográfica quanto por suas reservas minerais.
Mais cedo, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que “o pior ainda está por vir” ao comentar a ofensiva americana. Em discurso no Parlamento dinamarquês, ela descreveu o momento como um “capítulo sombrio” para a segurança europeia.
A Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca, país membro da Otan, e a intenção de anexação ameaça a arquitetura de segurança construída no pós-guerra. Desde o início de seu segundo mandato, Trump tem reiterado que a ilha seria “vital” para o chamado Domo de Ouro, sistema antimísseis que pretende implantar.
Diante das ameaças, países europeus começaram a reagir. Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia iniciaram o envio de tropas à Groenlândia na última quinta-feira (15) e planejam exercícios militares conjuntos na região, como forma de dissuasão.