
O início de 2026 marca uma nova fase para o mercado de bet no Brasil. Após anos de crescimento acelerado e forte presença nos uniformes dos clubes de futebol, as casas de aposta reduziram o número de patrocínios na Série A, segundo levantamento do jornalista Rodrigo Capelo, do Estadão.
Times como Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco iniciaram a temporada sem parcerias com plataformas do setor. Um cenário inédito desde 2025, quando todas as equipes da elite exibiam marcas de bet em seus uniformes.
A retração, no entanto, não indica crise. Especialistas e representantes da indústria avaliam que o movimento reflete uma consolidação de mercado, em que as maiores empresas mantêm contratos de alto valor e as menores ajustam estratégias para permanecer ativas.
Capelo explica que o número de companhias autorizadas pelo governo a operar legalmente chega a 82, com 183 bets autorizadas no Brasil. “Não é uma bolha, é uma reorganização”, afirmou Bernardo Cavalcanti Freire, da Associação Nacional de Jogos e Loterias.
A Copa do Mundo de 2026 deve manter o setor aquecido, com bets direcionando investimentos para cotas de mídia em emissoras como Globo, CazéTV e SBT.
Brasil se tornou o 5º maior mercado de bets do mundo
O Brasil se tornou o quinto maior mercado de bets do planeta, movimentando cerca de R$ 22 bilhões em 2025, de acordo com a consultoria Regulus Partners. O volume representa um crescimento expressivo desde 2014, quando o setor somava apenas R$ 1,6 bilhão.
Esse avanço foi impulsionado pela expansão das apostas online, pelo uso do Pix e pela ampla bancarização da população brasileira. Com a popularização dos smartphones, o acesso às plataformas de bet tornou-se mais direto e cotidiano.
A regulamentação do setor, implementada apenas em 2024, formalizou práticas que já estavam consolidadas no país. Mesmo assim, especialistas alertam para o impacto financeiro nas famílias e o risco de “betização” da renda, especialmente entre usuários de baixa renda. O governo tenta equilibrar a arrecadação e a proteção ao consumidor, impondo limites à publicidade voltada a menores e monitorando transações suspeitas via Banco Central.
Bet revela os esportes mais populares
Dados da KTO, bet que vai patrocinar a transmissão da Copa do Mundo na CazéTV, mostram que o futebol concentra 88,31% das apostas e 77,28% dos usuários ativos. O basquete aparece em segundo lugar (4,17% das apostas), seguido por modalidades como tênis (1%), futebol americano (0,5%) e MMA (0,48%).
Entre os campeonatos mais apostados, o Brasileirão lidera com 15,11% das apostas, seguido pela Série B (6,22%) e a Premier League inglesa (4,99%). Competições como La Liga, Libertadores e Champions League também aparecem entre as dez mais populares.
Os times brasileiros mais selecionados para apostas no mês de outubro foram Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro, enquanto o formato de aposta mais utilizado é o resultado final (42,6% das apostas totais). O levantamento também revela uma preferência por apostas pré-jogo, que representam mais da metade das operações realizadas na plataforma.
Lula defende fiscalização das bets
Em discurso recente na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a necessidade de fiscalização do setor de bet e manifestou apoio à atuação do Banco Central.
Durante a cerimônia pelos 90 anos do salário mínimo, Lula afirmou que “os cassinos entraram dentro das nossas casas com essa quantidade de bets criadas”, expressando preocupação com a influência das apostas sobre o futebol, a publicidade e até casos de corrupção.
O presidente ressaltou que o Banco Central deve garantir que as empresas de bet paguem tributos devidos e atuem dentro da legalidade, especialmente no combate à lavagem de dinheiro. A presença do presidente do BC, Gabriel Galípolo, foi interpretada como um gesto de alinhamento institucional para reforçar a supervisão do setor.