DF: Vítimas dos técnicos de enfermagem haviam apresentado melhora antes da morte

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 7:44
João Clemente Pereira e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, vítimas de técnicos em enfermagem no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Foto: Reprodução

Familiares de duas das vítimas mortas por técnicos de enfermagem relataram que, durante o período de internação na UTI, houve melhora no quadro clínico dos pacientes antes da morte, o que levantou suspeitas sobre o desfecho dos casos no Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. A ação criminosa foi descoberta pela própria unidade de saúde e denunciada à Polícia Civil. Com informações do Metrópoles.

Segundo as famílias de Marcos Moreira, de 33 anos, e João Clemente, de 63, os dois pacientes não apresentavam comorbidades nem histórico de problemas cardíacos. Durante a internação, médicos relataram evolução positiva no estado de saúde.

No caso de Marcos, a família chegou a ser informada sobre a decisão de reduzir a sedação e a medicação para que ele pudesse ser extubado em breve, o que não ocorreu.

Já no caso de João Clemente, os parentes dizem que desconfiaram desde o início, justamente porque os relatos médicos indicavam melhora contínua.

“Os médicos falavam que todo dia ele melhorava um pouquinho. Ele estava se recuperando. A gente não imaginava que ia ter esse desfecho, que ele ia ser assassinado dentro do hospital. Desde o começo eu desconfiei, mas achei que era um erro médico, e não um assassinato”, afirmou Valéria Leal, filha de João Clemente.

Após a morte, a família solicitou o prontuário. “Não tinha nada que justificasse ele ter tido essa parada cardíaca. A complicação foi no pulmão, não no coração”, disse.

Investigação interna e denúncia

Quase dois meses após a morte, a família foi chamada para uma reunião no hospital, quando recebeu a informação de que havia indícios de que o óbito poderia ter sido criminoso.

A comissão de óbito do Hospital Anchieta identificou um padrão atípico em três mortes ocorridas na UTI, abriu investigação interna e, após observar a atuação de três técnicos de enfermagem, encaminhou o caso à polícia, que prendeu os suspeitos.

“Não é fácil vir a público, se expor, falar disso, porque a gente está passando por um momento muito difícil, mas é necessário porque a gente está procurando justiça. Alguma coisa tem que mudar”, cobrou Valéria.

O crime

Os três técnicos de enfermagem suspeitos de assassinar pacientes internados no Hospital Anchieta foram identificados: Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos; Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos.

O técnico é apontado como principal executor e confessou em depoimento à Polícia Civil; Marcela também confessou.

De acordo com a investigação, ele injetou doses elevadas de um medicamento nos pacientes, utilizando o produto como veneno. Em uma das vítimas, também houve injeção de desinfetante na veia.

As mulheres são acusadas de participar dos crimes ao “dar cobertura” ao outro técnico. Todos respondem por homicídio qualificado, conforme cada caso.