Pastor alvo de Damares na farra do INSS é investigado por esquema de pirâmide

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 8:18
O apóstolo Cesar Belluci, da Sete Church. Foto: Reprodução

O apóstolo Cesar Belluci, da Sete Church, citado por Damares Alves na chamada farra do INSS, é réu em uma ação judicial que apura um suposto esquema de pirâmide financeira envolvendo investimentos em criptomoedas, com prejuízo estimado em R$ 70 milhões a investidores. Ele passou a integrar formalmente a investigação após ter o nome incluído em requerimentos da comissão parlamentar, conforme informações do Metrópoles.

Belluci foi incluído na CPMI do INSS depois que a senadora Damares Alves divulgou uma lista de pastores e igrejas citados em relatórios da investigação, em resposta a críticas do pastor Silas Malafaia. A comissão foi instalada após a Polícia Federal deflagrar a Operação Sem Desconto, que revelou fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS.

Relatórios de inteligência financeira enviados à CPMI indicam que investigados no esquema do INSS fizeram transferências relevantes à Sete Church. Um dos citados realizou um Pix superior a R$ 120 mil para a igreja. Outro investigado, segundo os documentos, passou a pagar dízimos recorrentes a partir de 2022 — ano em que veio à tona o esquema de pirâmide com criptomoedas — e teria doado uma BMW e um relógio Rolex à instituição religiosa.

Como funcionava o esquema

A ação judicial aponta que, em 2021, a empresa Ever Operações e Investimentos passou a oferecer aplicações em bitcoin com promessa de retorno mensal entre 4% e 8%, com contratos de um ano e retenção do aporte nos primeiros seis meses.

Os pagamentos iniciais ocorreram até fevereiro de 2022, quando a empresa anunciou a suspensão dos rendimentos, alegando “considerável instabilidade do mercado de criptoativos”.

Dois sócios da Ever, Carlos Henrique de Camargo e Edson Lara, foram alvo de operação policial e prestaram depoimento. Um terceiro sócio, Meldequias Vasconcelos, não foi localizado.

Camargo atribuiu a Vasconcelos a responsabilidade pelo rombo financeiro e afirmou ter apresentado centenas de documentos para provar sua inocência. Em depoimento, ele e Lara relataram que Vasconcelos teria desviado R$ 6 milhões da empresa.

“Edson e eu fomos presos em flagrante, humilhados, tivemos nossas contas congeladas, residências invadidas e bens sequestrados. Meldequias permaneceu solto, navegando entre suas operações fraudulentas sem sofrer qualquer prisão preventiva ou medida cautelar”, afirmou Camargo.

O ex-sócio da Ever Invest e da BVK Invest, Meldequias Vasconcelos.
O ex-sócio da Ever Invest e da BVK Invest, Meldequias Vasconcelos. Foto: Reprodução

A denúncia contra Belluci

Segundo o advogado Ricardo Nacale, que representa vítimas do esquema, Belluci teria participado da criação de empresas usadas para blindar o patrimônio de Meldequias Vasconcelos. A denúncia afirma que ambos foram sócios da BVK Invest – Belluci Vasconcelos Invest Ltda.

O advogado sustenta que outras empresas foram abertas com o mesmo objetivo, muitas delas registradas em nome de esposas dos envolvidos.

“Por fim, é também nítida a participação dos requeridos VIRGÍNIA, PENÉLOPE e CESAR no esquema, eis que ‘emprestaram’ o nome para a constituição das empresas (…) em que foram distribuídos os bens adquiridos com os recursos de todos os consumidores lesados”, afirma Nacale na ação.

A defesa de Belluci sustenta que ele conheceu Vasconcelos na igreja e que a sociedade empresarial teria sido encerrada ainda em 2021. Segundo os autos, o apóstolo afirma que só voltou a ouvir falar do ex-sócio quando a imprensa passou a divulgar sua ligação com o esquema fraudulento.

A briga que levou o caso à CPMI

A inclusão de Belluci na CPMI ocorreu no contexto do embate público entre Damares Alves e Silas Malafaia. Em entrevista ao SBT News, a senadora afirmou que igrejas evangélicas haviam sido identificadas “nos esquemas de fraudes aos aposentados”. A declaração provocou reação imediata de Malafaia.

“Ou a senhora dá os nomes, ou é uma leviana linguaruda. A acusação é grave e séria. Se não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tem, denuncie pelo bem da igreja evangélica”, disse o pastor.

Após o desafio, Damares divulgou a lista de pastores, requerimentos de convocação e igrejas que receberam recursos de investigados, incluindo a Sete Church e o nome de Cesar Belluci.