Em Davos, Trump humilha europeus, ataca imigração e reitera tomada da Groenlândia

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 11:41
O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça. Foto: Denis Balibouse/Reuters

Em discurso no Fórum Econômico Mundial de Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Europa está “indo na direção errada” e fez duras críticas às políticas de imigração adotadas no continente. Segundo ele, decisões tomadas ao longo da última década estariam enfraquecendo países europeus, quando, em sua visão, o Ocidente precisaria de aliados fortes.

Trump declarou que os Estados Unidos buscam “negociações imediatas” para discutir a aquisição da Groenlândia, apesar de o governo da Dinamarca já ter afirmado que o território semiautônomo não está à venda.

O presidente disse ter respeito pelo povo da Groenlândia e da Dinamarca, mas sustentou que nenhum país, além dos EUA, teria capacidade real de garantir a segurança do território. Argumentou que membros da Otan têm obrigação de defender suas próprias áreas e citou a Segunda Guerra Mundial como exemplo, afirmando que a Dinamarca teria sido derrotada pela Alemanha em poucas horas, o que teria levado os Estados Unidos a assumir a defesa da Groenlândia naquele período.

Ao abordar o papel histórico dos EUA, Trump declarou que o país venceu a Segunda Guerra Mundial e afirmou que, sem a atuação americana, europeus estariam hoje falando alemão ou japonês. Ele também criticou a decisão de devolver a Groenlândia à Dinamarca após o conflito, questionando o que classificou como falta de reconhecimento atual por parte dos dinamarqueses.

Trump afirmou valorizar a Europa e disse ter laços pessoais com o continente, mencionando origens familiares escocesas e alemãs. Segundo ele, os Estados Unidos se importam profundamente com os europeus e acreditam nos vínculos que unem ambos como uma mesma civilização.

Ainda assim, defendeu que temas como energia, comércio, imigração e crescimento econômico deveriam ser prioridades para quem deseja um Ocidente forte e coeso. Para o presidente, a Europa teria criado uma cultura que estaria prejudicando a si própria.

No campo econômico, Trump disse querer compartilhar o que chamou de “receita do sucesso” dos Estados Unidos. Afirmou que há regiões da Europa que, em suas palavras, não são mais reconhecíveis, citando relatos de amigos que retornam de viagens ao continente com impressões negativas. Reforçou que deseja ver a Europa prosperar, mas insistiu que o rumo atual é equivocado.

O presidente também abordou questões energéticas e ambientais. Ironizou políticas de transição energética, dizendo que o setor de energia deveria gerar lucro, não prejuízo, e classificou a energia verde como uma fraude. Criticou a redução da exploração de petróleo e gás no Mar do Norte e afirmou que impostos extraordinários afastaram empresas do setor. Em seguida, atacou a China, alegando que o país não investiria seriamente em parques eólicos, usando-os apenas como vitrine para convencer outros países a adotar tecnologias que, segundo ele, não funcionariam.

Trump ainda comentou sobre a Venezuela, prometendo que o país “vai se sair fantasticamente bem” e afirmando que, em pouco tempo, geraria mais riqueza do que nas últimas duas décadas.

O discurso reforçou o tom confrontacional de Trump em relação a aliados europeus e voltou a expor sua visão crítica sobre imigração, políticas ambientais e a ordem internacional, ao mesmo tempo em que defendeu uma atuação mais assertiva dos Estados Unidos em questões estratégicas.

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