Brasileiro que invadiu sistemas da Nasa é reconhecido e recebe carta

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 12:28
O brasileiro Carlos Eduardo e o prédio da Nasa. Fotos: Reprodução e Reuters

O brasileiro Carlos Eduardo, de 38 anos, profissional da área de segurança da informação, passou cerca de 6 meses, ao longo de 2025, tentando identificar falhas em sistemas da Nasa. O trabalho foi descrito por ele como “frustrante e muito irritante”, diante da demora nas respostas e da rejeição inicial de parte dos relatórios enviados à agência.

Em novembro, a Nasa reconheceu oficialmente duas das 26 vulnerabilidades relatadas pelo pesquisador. Em uma delas, Carlos afirma ter acessado um documento restrito no Google Docs, contendo um artigo científico destinado apenas a funcionários da agência. Em outra, relatou a exposição de dados sensíveis, como credenciais e informações internas de sistemas.

Como resultado, o brasileiro recebeu uma carta de agradecimento assinada pela diretora de segurança da informação da Nasa, Tamiko Fletcher. O reconhecimento não envolveu recompensa financeira. “Para mim, é uma conquista pessoal”, afirmou Carlos.

Segundo ele, os testes começaram no meio de 2025 e se intensificaram a partir de novembro, com dedicação diária de até 4 horas após o trabalho e as aulas de uma pós-graduação em cibersegurança ofensiva.

Logo da Nasa. Foto: Divulgação

Em um dos casos, afirmou ter obtido permissão de edição em um artigo científico e inserido um link falso, o que permitiria, em tese, o roubo de credenciais. Em outro, disse ter localizado uma pasta com repositórios internos, senhas e endereços de IP da agência.

A Nasa informou, em nota, que mantém um programa de divulgação responsável de vulnerabilidades, aberto a pesquisadores externos, mas não comentou os detalhes das descobertas “por questões de segurança”. Os relatórios são enviados por meio da plataforma Bugcrowd, onde os nomes dos pesquisadores reconhecidos passam a integrar um “hall da fama”.

Carlos Eduardo vive em São Paulo, trabalha com tecnologia da informação há mais de 20 anos e atua com cibersegurança há cerca de uma década. Atualmente, é analista de sistemas sênior em uma grande empresa do setor privado. Ele afirma que o desafio técnico também funcionou como apoio durante o luto pela morte do pai, em outubro de 2025, e diz que o reconhecimento da Nasa era um objetivo pessoal antigo.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.