Caso Master virou batalha política e digital, diz jurista

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 13:53
Banco Master. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A liquidação do Banco Master extrapolou o debate técnico e ganhou contornos de disputa política, midiática e econômica, segundo o jurista Roque Citadini. Ele aponta que o episódio se transformou em uma das coberturas mais passionais já vistas no noticiário econômico brasileiro.

Ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e figura histórica do Corinthians, Citadini sustenta que o caso passou a ser tratado como uma arena de confronto permanente, na qual interesses diversos se chocam de forma simultânea e muitas vezes contraditória, tornando impossível identificar com clareza quem ataca quem.

No centro desse embate está o ministro Dias Toffoli, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Citadini, qualquer movimento do magistrado passou a ser interpretado como prova de favorecimento ou perseguição, independentemente do conteúdo da decisão, alimentando uma narrativa de suspeição constante.

Para o jurista, o envolvimento de influenciadores digitais, sites, blogs e páginas alinhadas a interesses múltiplos escancara um ambiente de guerra informacional. Em um cenário onde circula muito dinheiro, afirma, a mídia digital deixa de ser observadora e se torna parte ativa do conflito, sem compromisso com neutralidade.

Roque Citadini. Foto: Divulgação/TCE-SP

Leia na íntegra:

A liquidação do Banco Master é a mais apaixonada cobertura de um problema econômico que vi.

Nem Corinthians e Palestra provoca tanta paixão na mídia como este caso.

Não é possível decodificar todos os interesses e todos os interessados.

O próprio Ministro Toffoli, relator, é atacado e elogiado por qualquer ato no processo.

Quando fixou prazo curto pra ser ouvido os envolvidos foi acusado de proteger os réus.

Em seguida, quando aumentou o tempo para ouvir as partes, foi acusado de proteger os réus.

São tantos e tão complicados os interesses que não é possível entender de onde vem os “tiros” na guerra.

O envolvimento de “influencers” nesta guerrinha salta aos olhos.

Ocorre que não é só de um lado ou contendor.

Há sites, blogs e páginas na internet trabalhando pra múltiplos interessados.

Como há muito dinheiro, há muita guerra e principalmente muitas partes envolvidas.

E a mídia na internet não é neutra. É de todo mundo.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.