
Durante discurso no Fórum Econômico Mundial, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país teria sido “estúpido” ao “devolver” a Groenlândia à Dinamarca após a Segunda Guerra Mundial. A declaração, feita em meio à defesa da anexação do território, distorce os fatos históricos sobre a presença americana na ilha durante o conflito.
Trump elevou o tom contra aliados europeus e classificou a Dinamarca como “ingrata”, dizendo que os EUA teriam “salvo” a Groenlândia da ocupação nazista. “Colocamos bases militares na Groenlândia para defendê-la e salvá-la. Fortificamos a Dinamarca. Impedimos que os inimigos conquistassem a Groenlândia. Demos a Groenlândia de volta para a Dinamarca, que ideia estúpida. E olha o quão ingratos eles são agora”, declarou.
A história, porém, não confirma essa versão. A Groenlândia nunca foi posse dos Estados Unidos. Entre 1941 e 1945, o que houve foi uma ocupação militar temporária, após a Alemanha nazista ocupar a Dinamarca em 1940.
Com o governo dinamarquês impedido de exercer soberania plena, os EUA assumiram a defesa do território para evitar seu uso por forças alemãs. Em 1941, Washington assinou um acordo de “Defesa da Groenlândia” com o embaixador dinamarquês, autorizando a construção de bases militares durante a guerra.
O entendimento previa a retirada americana após a rendição alemã em 1945. Portanto, não houve “devolução” de território, já que a soberania dinamarquesa nunca foi formalmente transferida aos EUA.

Após o fim do conflito, os Estados Unidos resistiram a desocupar totalmente a ilha e passaram a negociar sua aquisição. Em 1946, chegaram a oferecer US$ 100 milhões pela Groenlândia e cogitaram trocas territoriais envolvendo áreas do Alasca. A Dinamarca recusou todas as propostas, mas aceitou a permanência de bases militares americanas, que existem até hoje.
No discurso em Davos, Trump afirmou que não pretende usar força militar para anexar o território, mas insistiu na compra da ilha e voltou a ameaçar aliados europeus. “Tenho respeito tremendo às pessoas da Groenlândia e da Dinamarca, mas acredito que nenhum outro país consegue manter a segurança da Groenlândia a não ser os Estados Unidos”, disse.