
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli continua a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do empreendimento ao advogado Paulo Humberto Barbosa, segundo apuração da Folha. O resort fica na divisa entre Paraná e São Paulo. Relatos indicam que Toffoli chega ao local de helicóptero e utiliza um heliponto próximo à casa onde se hospeda em área reservada do complexo. Com informações da Folha de S.Paulo.
Funcionários e ex-funcionários afirmam que o ministro e seus irmãos, José Carlos e José Eugênio Toffoli, ainda são mencionados internamente como associados ao resort, ao lado de Barbosa. A reportagem esteve no local por duas noites e ouviu, sob anonimato, cinco funcionários, uma ex-funcionária, moradores de Ribeirão Claro (PR) e dois hóspedes frequentes.
Toffoli é descrito como frequentador regular do Tayayá, com presença registrada pela última vez no Ano-Novo. Quando está no resort, ele fica em uma casa na área chamada Ecoview, composta por 18 residências no alto de um morro. O heliponto fica a poucos metros do imóvel. O ministro também utiliza um barco do resort que não é disponibilizado a outros hóspedes. José Eugênio Toffoli administrava o local quando a família tinha participação societária e também possui casa no complexo.
O Tayayá opera no modelo de multipropriedade. Cada casa do Ecoview é dividida entre 13 cotistas, com cotas avaliadas em pouco mais de R$ 750 mil. As residências têm três suítes, sala, cozinha e varanda com piscina, em sua maioria com vista para a represa do rio Itararé. Outro irmão do ministro, José Carlos Toffoli, que é padre, celebra missas no local em datas festivas.
A Folha informou que, entre 2021 e 2025, empresas ligadas a parentes de Toffoli dividiram o controle do resort com o fundo de investimentos Arleen, associado a uma estrutura vinculada ao Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

As cotas do Arleen pertenciam ao fundo Leal, apontado pelo jornal O Estado de S. Paulo como ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Zettel foi alvo de operação da Polícia Federal enquanto tentava embarcar para Dubai; a defesa não se manifestou. Os irmãos do ministro não responderam aos questionamentos.
Atual proprietário do Tayayá, Paulo Humberto Barbosa afirma ser o único dono do resort após adquirir, em fevereiro de 2025, a participação da Maridt, empresa de José Carlos e José Eugênio Toffoli, em negócio estimado em R$ 3,5 milhões.
O primo do ministro, Mario Umberto Degani, deixou a sociedade em setembro de 2025. Barbosa, advogado da JBS em Goiânia, diz não ter relação com o fundo Arleen nem com o caso Master e afirma ter encontrado Toffoli no resort no Ano-Novo sem manter contato com o ministro.