
O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, não apresentou qualquer proposta de compromisso envolvendo soberania durante as conversas sobre a Groenlândia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (22) pela porta-voz da aliança, Allison Hart, após a repercussão de declarações feitas pelo republicano no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.
“O secretário-geral não propôs qualquer compromisso em relação à soberania durante sua reunião com o presidente em Davos”, afirmou Hart. O encontro ocorreu na quarta-feira (21), logo após o discurso de Trump no evento, e passou a ser interpretado como um avanço nas negociações envolvendo o futuro estratégico da Groenlândia.
Após a reunião, o presidente estadunidense declarou que havia sido estabelecida uma “estrutura” para um acordo que atenderia aos interesses dos Estados Unidos e dos países-membros da Otan, sem detalhar os termos.
Trump afirmou que, diante do que considerou avanços nas negociações, desistiu de impor tarifas de 10% contra Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, previstas para entrar em vigor em 1º de fevereiro. A taxação havia sido anunciada como resposta à resistência europeia às pretensões dos EUA sobre a ilha.
O presidente também mencionou discussões adicionais sobre o chamado “Domo de Ouro” ligado à Groenlândia, sem fornecer detalhes. O projeto prevê uma estrutura militar para interceptar mísseis lançados contra o território estadunidense.
“O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff e outros, conforme necessário, serão responsáveis pelas negociações — e se reportarão diretamente a mim”, afirmou Trump em uma rede social, acrescentando depois que o acordo em debate duraria “para sempre”.
Based upon a very productive meeting that I have had with the Secretary General of NATO, Mark Rutte, we have formed the framework of a future deal with respect to Greenland and, in fact, the entire Arctic Region. This solution, if consummated, will be a great one for the United…
— Commentary: Trump Truth Social Posts On X (@TrumpTruthOnX) January 21, 2026
Segundo a Otan, as discussões entre os aliados se concentram em garantir a segurança do Ártico de forma coletiva, com atenção especial aos sete países-membros que possuem território na região. A aliança também indicou que Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos atuam de forma coordenada para impedir qualquer presença russa ou chinesa na ilha.
Durante o discurso em Davos, Trump declarou que não pretende recorrer à força. “Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse. Ainda assim, chamou a Dinamarca de “ingrata”, afirmou que “a Europa não está indo na direção correta” e voltou a se referir à Groenlândia como “um pedaço de gelo”.
Segundo Trump, as conversas tratam de questões estratégicas relacionadas à segurança e à presença no Ártico, região considerada cada vez mais sensível diante da ampliação da influência global da Rússia e da China. Após a manifestação da porta-voz da Otan, Rutte confirmou que o foco do diálogo foi a segurança regional. “Discutimos como garantir que russos e chineses não tenham acesso militar ou à economia da Groenlândia”, declarou.
A reunião ganhou novos contornos após reportagem do New York Times indicar que estaria em discussão a possibilidade de os Estados Unidos controlarem pequenas porções do território da ilha. Três autoridades ouvidas pelo jornal relataram que a ideia permitiria a instalação de bases militares estadunidenses na Groenlândia, sem transferência formal de soberania, hipótese que elevou a tensão diplomática na Europa.
Diante da repercussão, a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, afirmou que o país “continua a manter um diálogo construtivo sobre a segurança no Ártico”, desde que haja respeito à integridade territorial dinamarquesa. A Groenlândia é um território autônomo ligado à Dinamarca e tem papel estratégico no controle de rotas e na defesa do hemisfério norte.