MP denuncia Marcelo Crivella por esquema de propina de R$ 32 milhões

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 8:54
Marcelo Crivella (Republicanos), ex-prefeito do Rio. Foto: Reprodução

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou, nesta quarta-feira (21), o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella (Republicanos) por improbidade administrativa em um esquema de propina que, segundo os promotores, teria movimentado R$ 32 milhões durante sua gestão à frente da prefeitura.

De acordo com a denúncia, o esquema envolveu fraudes em contratos e procedimentos administrativos no período em que Crivella era prefeito. O Ministério Público aponta que o ex-mandatário estaria entre os responsáveis pela coordenação das ações ilícitas, que teriam beneficiado empresas privadas em troca de pagamentos indevidos.

Contrato bilionário sob suspeita

Um dos principais focos da investigação é um contrato de R$ 789 milhões firmado entre a Prefeitura do Rio e o grupo Assim Saúde. Segundo o MP, o edital que resultou no acordo teria sido elaborado de forma a direcionar a contratação da empresa.

Os promotores afirmam que a Assim Saúde teria pago cerca de 3% do valor do contrato em propina. Os pagamentos teriam ocorrido por meio de contratos de prestação de serviços que nunca foram executados, firmados com empresas de fachada indicadas por integrantes da organização criminosa.

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A fachada do Centro Administrativo São Sebastião (CASS), sede da prefeitura do Rio. Foto: Rebecca Maria

Outros alvos e pedidos do MP

Além de Crivella, hoje deputado, a denúncia envolve outras 10 pessoas e 25 empresas, todas acusadas de improbidade administrativa. O Ministério Público pede que os R$ 32 milhões supostamente pagos em propina sejam devolvidos aos cofres municipais, além da aplicação de multas e da suspensão dos direitos políticos dos acusados.

Em nota, Crivella afirmou que a denúncia é a “3ª em cima da mesma narrativa, nos últimos seis anos”. O deputado federal disse ainda que “o assunto volta à tona em período pré-eleitoral”, momento em que, segundo ele, “aparece na liderança de várias pesquisas partidárias para o Senado”, e alegou que não foi ouvido pelos investigadores.

“O Grupo Assim Saúde presta serviços ao município ininterruptamente há mais de 17 anos, inclusive na atual gestão. A contratação foi conduzida pelo Previ-Rio, com aval da Controladoria-Geral, da Procuradoria-Geral do Município e do Tribunal de Contas. Não houve fraude à licitação, pois não houve licitação, mas credenciamento, modalidade legal, sem vencedores ou vencidos, aceita pelo TCU e recomendada pelo MP”, disse Crivella.

Em maio do ano passado, Crivella teve R$ 50 milhões em bens bloqueados por decisão liminar da Justiça, após pedido do Ministério Público do Rio. Nesse outro processo, o órgão aponta que contratos firmados para a compra de equipamentos hospitalares com a empresa China Meheco teriam sido direcionados para favorecer a companhia durante a pandemia.