Trump apresenta “plano” para Gaza com discurso imobiliário e promessas vagas

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 10:47
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentando o plano para Gaza. Foto: Getty Imagens

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou nesta quinta-feira (22) um plano para a reconstrução da Faixa de Gaza durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos. A proposta, anunciada no lançamento do chamado Conselho de Paz de Gaza, voltou a tratar o território devastado pela guerra a partir de uma lógica de valorização imobiliária.

Trump descreveu Gaza como uma área “à beira-mar” com grande potencial econômico, afirmando que a atratividade do local estaria ligada à sua posição geográfica. A fala reforçou uma abordagem que reduz um conflito prolongado e humanitário a oportunidades de mercado.

Coube a Jared Kushner, genro do presidente, detalhar o projeto e apresentar projeções visuais do que Gaza poderia se tornar. As imagens mostram o enclave dividido em zonas residenciais, industriais e turísticas, conforme a visão da equipe de Trump. Entre as ideias apresentadas estão 180 arranha-céus ao longo do litoral, com foco em turismo, e a construção de 100 mil moradias em Rafah, no sul da Faixa, na fronteira com o Egito.

Kushner afirmou que a segurança seria a “prioridade número um”, mencionando cooperação com Israel para reduzir tensões e uma etapa posterior de negociação com o Hamas para desmilitarização. Segundo ele, sem esse cenário não haveria investimentos. O argumento inclui a crítica à dependência de ajuda humanitária em Gaza, apontada como insustentável, sem detalhar como as condições políticas e militares atuais permitiriam a execução do plano.

A proposta retoma ideias já defendidas por Trump anteriormente. No ano passado, ele divulgou um vídeo feito com inteligência artificial que transformava Gaza em um complexo de resorts, apelidado de “Riviera do Oriente Médio”. A montagem, publicada com a legenda “Gaza 2025”, exibia cenas fantasiosas, como uma estátua dourada de Trump, Benjamin Netanyahu relaxando à beira de uma piscina e Elon Musk distribuindo dinheiro em uma praia.

O vídeo contrastava imagens de destruição e crianças entre escombros com uma transição abrupta para praias luxuosas, iates e festas, ao som de uma música que exaltava Trump como libertador. Ao final, surgia um resort com o letreiro “Trump Gaza”. A publicação não veio acompanhada de explicações, mas Trump voltou a defender publicamente a ocupação americana do território após o fim da guerra.

A reação internacional foi amplamente negativa. Líderes de diferentes países criticaram a proposta, e a agência de direitos humanos da ONU alertou que a expulsão de palestinos de Gaza configuraria crime de guerra. Até agora, o plano apresentado em Davos carece de detalhes sobre viabilidade política, legal e humanitária, enquanto insiste em tratar um território em ruínas como vitrine para grandes empreendimentos.