Família que controla o Ibrachina já foi apontada como líder da pirataria em SP; entenda

Atualizado em 22 de janeiro de 2026 às 11:17
Thomas Law na Alesp. Foto: Divulgação

A família que controla o Ibrachina FC, sensação da Copinha SP, já foi citada oficialmente em investigações sobre pirataria em São Paulo. Um relatório final da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pirataria da Câmara Municipal de São Paulo afirmou que o esquema era comandado pela família Law Kin Chong, apontada como proprietária de centros comerciais associados à venda de mercadorias ilegais. A comissão funcionou por cerca de um ano e meio e não conseguiu ouvir os principais investigados.

O clube foi fundado em 2020, durante a pandemia, no bairro da Mooca, zona leste da capital. Aproveitando restrições impostas a outros times, o projeto atraiu jovens atletas e, em pouco tempo, passou a disputar competições de base, incluindo a Copinha. Em 2022, o time já mandava jogos em estádio próprio, com gramado sintético e estrutura enxuta.

Enquanto o clube se consolidava no futebol de base, a CPI tentava ouvir Law Kin Chong, sua esposa Hwu Su Chiu Law, conhecida como Miriam, e os filhos Henrique e Thomas Law, donos do Ibrachina. Segundo o relatório, o casal seria proprietário de cerca de 27 shoppings populares, incluindo o chamado Shopping 25. Todos adotaram o direito ao silêncio ou não compareceram às sessões.

Os irmãos Law passaram a atuar publicamente como representantes do empresariado chinês no Brasil, buscando dissociar suas atividades dos negócios da família. Thomas Law ocupa cargos na OAB-SP e em entidades voltadas às relações Brasil–China, além de ter recebido a Medalha Anchieta. Henrique Law é quem figura formalmente como presidente do clube de futebol.

Jogadores do Ibrachina na Copinha SP. Foto: Reprodução

O Ibrachina alega que a gestão do clube é independente e que as investigações citadas não resultaram em condenações ou sanções. O relatório da CPI, enviado ao Ministério Público, descreve que a família Law possuía imóveis em regiões estratégicas da capital, como Brás, Pari, Liberdade, Avenida Paulista e Morumbi.

Entre 2012 e 2019, fiscalizações da Receita Federal em shoppings administrados por empresas do grupo apreenderam mais de R$ 600 milhões em mercadorias consideradas ilegais, segundo dados oficiais.

Law Kin Chong chegou a ser preso duas vezes nos anos 2000 por suspeita de contrabando e foi condenado na Justiça Federal por tentar subornar um deputado durante outra CPI sobre pirataria. A pena chegou a 6 anos de prisão em regime fechado, decisão que ainda é questionada pelo empresário em recursos no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.