
Vorcaro não procurou a Polícia Federal nem a Procuradoria-Geral da República, de forma formal ou informal, para discutir uma eventual delação premiada com o objetivo de preservar patrimônio. Até agora, não houve qualquer iniciativa concreta nesse sentido.
Em Brasília, fontes da PF e da PGR afirmam que jamais foram acionadas para tratar do tema. Nos bastidores, a atual equipe de defesa do banqueiro diz ser contrária a uma delação e avalia que esse caminho seria prematuro.
Daniel Vorcaro é apontado por investigadores como líder de uma organização criminosa que teria causado prejuízos ao sistema financeiro. Ele já foi alvo de duas fases da Operação Compliance Zero e, na mais recente, teve R$ 5,7 bilhões bloqueados por decisão do ministro do STF Dias Toffoli.
Mesmo após a saída do advogado Walfrido Warde — que o assessorava em temas regulatórios ligados ao Banco Master, mas não atuava na área criminal —, seguem na defesa os criminalistas Pierpaolo Bottini, Marcelo Leonardo e Roberto Podval.

Comentários sobre uma possível disposição de Vorcaro para firmar acordo começaram a circular entre interlocutores da família. Segundo essas versões, a preservação de parte do patrimônio estaria entre as preocupações do empresário. Apesar disso, não houve qualquer avanço prático, o que levou a defesa a divulgar nota negando que o assunto tenha sido tratado.
“A defesa de Daniel Vorcaro nega com veemência a existência de qualquer proposta ou negociação de delação premiada. Essa informação não corresponde à realidade e não foi objeto de tratativa formal ou informal por parte do Sr. Vorcaro ou de seus advogados. Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue exercendo plenamente seu direito de defesa, colaborando com as autoridades dentro dos limites legais e confia no esclarecimento dos fatos por meio do devido processo legal”, diz o comunicado.
Investigadores também demonstram resistência à hipótese de delação. Pela legislação, acordos de colaboração não se aplicam a líderes de organizações criminosas. Para que isso fosse possível, Vorcaro teria de indicar a existência de pessoas em posição hierárquica superior dentro do esquema investigado.